Luta a dois pela ULS do Nordeste
Os nomes de Guedes Marques, de Mirandela, e Carlos Cadavez, radicado em Bragança desde 1978, (apesar de também ser natural do concelho de Mirandela), estão cada vez mais sozinhos, o que indica que a porta de saída para Henrique Capelas, o actual presidente, está cada vez mais aberta.
Guedes Marques, antigo administrador do hospital de Mirandela, parece ser o preferido da distrital social-democrata, até porque o seu presidente, José Silvano, ainda é o presidente daquela câmara do distrito de Bragança.
Já Carlos Cadavez parece ser o preferido da concelhia e da câmara brigantinas, para além de poder contar com um apoio de peso, o dos administradores hospitalares, para além de outros quadrantes do PSD no distrito. Convém não esquecer que foi administrador do hospital de Bragança desde 1978, cargo que escolheu num concurso público nacional em que o seu nome figurou no primeiro lugar. Viria a ser afastado a meio da década de 1990, já pelo Governo socialista de António Guterres, que viria a ser condenado a pagar-lhe uma indemnização. O tribunal considerou que não havia razões para o afastamento, que surgiu depois da sua candidatura à câmara brigantina pelo PSD, e o Estado foi obrigado a pagar os restantes dois anos da comissão de serviço.
Carlos Cadavez recusa, para já, fazer comentários, mas mostra-se disponível para regressar à sua área de formação, a administração hospitalar. O seu nome terá sido, também, um dos que José Silvano terá indicado ao ministro da Saúde, apesar de o primeiro ser mesmo o de Guedes Marques, que, ao Jornal Nordeste, não se quis alongar. “De facto, também já ouvi dizer isso, mas não há nada. O meu trabalho é na Câmara de Mirandela e é lá que continuo”, frisou, apesar de se sentir “lisonjeado” com um eventual convite.
Missivas de Bragança directamente para Lisboa, com o intuito de discutir eventuais nomeações
Aliás, este pode ser mais um sinal do afastamento entre José Silvano, presidente da Comissão Política Distrital do PSD, e de Jorge Nunes, presidente da Assembleia Distrital do partido.
Para além dos relatos, cada vez mais frequentes de fontes do partido, de manobras de bastidores sem o conhecimento um do outro, como missivas de Bragança directamente para Lisboa, com o intuito de discutir eventuais nomeações para cargos na região sem o conhecimento do líder da distrital, há também viagens repentinas à capital, em resposta, para jantares ao mais alto nível, com a intenção de discutir estratégias.
Na última AD do partido, por exemplo, depois de uma introdução de alguns minutos de Jorge Nunes, Silvano tomou a palavra deixando bem claro que não se ia alongar, pois a noite era de outro protagonista. Almeida Henriques, no caso.
Quanto a Nunes e Silvano, quase em final de mandato, a desconfiança aumenta. Isso mesmo já era bem patente, por exemplo, no início do Verão, quando Silvano se mostrou abertamente contra a escolha de Francisco Viegas como cabeça-de-lista do PSD, nome que Nunes elogiou publicamente, em declarações à Brigantia.
Certo é que, como o Nordeste adiantou há duas semanas, a nomeação para o conselho de administração da ULS está atrasada, enquanto se espera uma nova Carta da Saúde. A administração poderá mesmo ser reduzida dos cinco (sete com a anterior composição) previstos para três. Como a Troika exige técnicos devidamente habilitados, para além de experiência na área hospitalar, Carlos Cadavez acredita poder integrar o futuro conselho de administração. Além de um curso de Macro e Micro economia, possui ainda um doutoramento em administração hospitalar. Foi mesmo o primeiro administrador não médico do país.