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O alfaiate que veio do Senegal e que cose golos que se farta

O alfaiate que veio do Senegal e que cose golos que se farta
  • 3 de Novembro de 2011, 09:52

O senegalês escolheu a segunda e foi isso que o trouxe a Portugal.
O avançado senegalês, um dos mais possantes que passou pelo Nordeste Transmontano, tem uma daquelas histórias de vida que dava um filme, mas do género saga, ao melhor estilo do Senhor dos Anéis.
Nascido numa família de oito irmãos, cedo teve de se fazer à vida para ajudar a mãe a põr arroz em casa. “Era alfaiate, fazia roupa. Mas como isso não dava dinheiro, fui tentar jogar futebol com um colega”, recorda, agora, o jogador de 39 anos, que esta época foi parar ao Águia de Vimioso, depois de ter sido vice-campeão distrital pelo Morais. E após três jornadas, já leva dois golos marcados.
De facto, o faro para o golo cedo começou a despontar, mesmo se o jeito para a bola não era muito. Como era grande, o primeiro treinador que o observou colocou-o lá na frente e aqui vai disto, mesmo sem equipamento próprio. “Andava cinco quilómetros para cada lado só para ir treinar”, conta.
O dinheiro que começou a ganhar foi para entregar à mãe, pois os tempos eram de crise profunda naquele país do centro de África, mais conhecido pelo rali de TT. “Não tínhamos dinheiro para comer. Se almoçávamos, já não jantávamos”, diz. No início ainda teve de enfrentar a desconfiança dos treinadores. Na primeira equipa, perguntaram-lhe em que posição jogava. “Disse que era a oito, no meio-campo. Fiquei o primeiro jogo no banco. Depois entrei quando estávamos a perder 2-0 e marquei logo dois golos”, recorda. Foi remédio santo, o treinador ficou logo convencido.
A vida de Ousmane é assim, feita de obstáculos e determinação para ultrapassar as dificuldades.
Veio até Portugal, jogou em clubes como o Beira-Mar ou o Feirense ou Famalicão, para além de vários no Nordeste Transmontano, como Bragança ou Morais. Teve a sorte de sempre fazer muitos golos e de conquistar títulos por onde passou. “No Morais é que faltou só um bocadinho”, brinca.
Diz que se sente bem em Portugal e não quer mudar. Está a estudar cozinha, uma coisa que adora fazer. Disso e de ajudar pessoas, como daquela vez em que foi de férias ao Senegal, e não se conteve: deparando-se com tantas dificuldades, ia dando dinheiro às pessoas na rua. Sonha abrir o seu próprio negócio no Senegal, até porque o irmão trabalha num restaurante, em Itália, e podia dar um incentivo.
Mas, para já, o que quer mesmo é continuar a marcar golos.

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