Região

Bragança perde mais de metade das freguesias

  • 4 de Novembro de 2011, 01:50

A Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) elaborou um documento que dá conta das freguesias a manter e a agregar, através da aplicação dos critérios já anunciados pelo governo. No distrito de Bragança são 201 as freguesias que deverão ser agregadas, mantendo-se, apenas, 98 do total das 299 freguesias que existem actualmente.
O documento tem em conta os critérios de organização territorial anunciados pelo Governo, que prevêem a agregação das freguesias situadas num raio inferior a 15 quilómetros da sede de concelho e com um número de residentes inferior a 500 pessoas. A excepção são os concelhos que perderam mais de 10 por cento da população, em que o número de residentes pode não ultrapassar as 300 pessoas.
As freguesias que distem mais de 15 quilómetros da sede de concelho vão beneficiar de um regime de excepção, sobrevivendo freguesias com pouco mais de uma centena de habitantes, como é o caso de Deilão, no concelho de Bragança.
A maioria dos autarcas do distrito considera esta reestruturação necessária. No entanto, há presidentes de Junta que temem que esta aglomeração seja feita de uma forma “cega”.
O presidente da Junta de Freguesia de Salsas, Filipe Caldas, defende que esta reestruturação deve ser discutida e, acima de tudo, “bem pensada”, para não prejudicar as populações.

Autarcas defendem que os critérios para a agregação de freguesias devem ser definidos com clareza para evitar diferendos entre localidades

No documento da ANAFRE a que o Jornal NORDESTE teve acesso Salsas mantém-se como freguesia. Apesar de ter, apenas, 389 residentes, de acordo com os dados dos Censos 2011, dista mais de 15 quilómetros da sede de concelho.
Mesmo assim, Filipe Caldas afirma que Salsas tem uma boa relação com as freguesias vizinhas de Sendas e Serapicos, pelo que não vê inconvenientes em se aliar a essas freguesias.
Por sua vez, Espinhosela, com 244 residentes, é uma freguesia que vai ser agregada, visto que dista pouco mais de 10 quilómetros da cidade de Bragança. O autarca local, Telmo Afonso, afirma que já estava à espera da agregação por falta de população. “Tendo em conta o critério dos 500 residentes, Espinhosela pode-se agregar ao Parâmio e a Carragosa”, constata o autarca.
Quanto à localidade que poderá ser a sede de freguesia, Telmo Afonso afirma que têm que ser definidos os critérios com clareza para evitar desentendimentos entre freguesias.
“Claro que eu gostava que Espinhosela fosse cabeça de freguesia, mas isso é o que gostariam todos os presidentes de Junta”, graceja o autarca.
Relativamente às freguesias com poucos habitantes que poderão manter-se devido à distância da sede de concelho, Telmo Afonso acredita que esta situação vai ser alterada no âmbito dos debates sobre esta matéria. “Penso que essas freguesias são para agregar a outras, porque não faz sentido estarmos a agrupar freguesias aqui na zona de Bragança com mais de 400 residentes e deixarmos outras com cerca de uma centena de pessoas, só porque ficam mais distantes das sedes de concelho”, remata Telmo Afonso.

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