Cidões viveu Noite das Bruxas
Foi um momento carregado de alegria, comemorado com uma grande fogueira feita no cimo da aldeia, numa encruzilhada de uma clareira onde se queima o canhoto “Que representa o diabo”, com muito vinho, aguardente queimada, jeropiga, e, como não podia faltar, a tradicional bebida da aldeia chamada “ulhaque”.
Com castanhas e fruta à mistura, o tradicional repasto de cabra “machorra” (que representa a mulher infértil do diabo), foi confeccionada em grandes potes de ferro. “Queimamos o diabo e comemos-lhe a mulher, sempre com o acompanhamento de música tradicional. Em nenhum cemitério haverá uma vela maior e que dê mais luz do que a fogueira desta noite”, referiu a presidente da Associação Cultural, Recreativa, Ambiental e Desportiva “Raízes d´Aldeia de Cidões”, Hortência Pinto.
Tal como manda a tradição, após o jantar, os rapazes viraram a aldeia ao avesso e colocaram no meio da rua os vasos de flores das varandas das casas, rebolaram com carros de bois e carroças, deixando-os com as rodas para o ar virados ao contrário. Depois, passearam com um carro de bois por toda a localidade, de modo a não deixarem dormir ninguém, devido ao “chiar” (ranger) das rodas.
A Festa da Cabra e do Canhoto baseia-se na cultura dos celtas, que tinham o costume de acenderem uma grande fogueira numa clareira, na parte mais alta da localidade, para celebrar todos os anos no dia 31 de Outubro o Samhain, que era o ritual do fim e inicio de um novo ano para os Celtas. Os cristãos transformaram essa data no “Dia de Todos os Santos” e no “Dia de Finados”, numa alusão supersticiosa a essa ligação. Em muitas regiões do globo transformaram-na na noite das bruxas. Nessa noite, na aldeia de Cidões, em pleno coração de Trás-os-Montes, acontece o que resta de mais puro e genuíno de todas essas crenças e tradições.
O povo Celta, assim como outros povos de origem pagã, celebravam o começo dos dias através do anoitecer. Por isso esta festa em Cidões só começa à noite.
Este é o mais importante de todos os Festivais, pois, dentro do círculo, Samhain, marca tanto o fim como o início de um novo ano. Nessa noite, o véu entre o nosso mundo e o mundo dos mortos torna-se mais ténue, sendo o tempo ideal para nos comunicarmos com os que já partiram.