“Mudámos mentalidades”
Numa altura de mudança na Federação Portuguesa de Futebol, e quando se fala na profissionalização dos árbitros, impunha-se falar com o líder na arbitragem no distrito.
Humberto Anes tem 47 anos e é Presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Bragança há sete anos. Ou seja, é o patrão dos árbitros. Um cargo que não hesitou em aceitar, quando surgiu o convite de Jorge Nogueira, presidente da AFB: “Nem sequer hesitei, até porque sabia que ia mudar muita coisa, pois na altura tinha ideias que hoje já vi que resultaram em cheio. Mas o mais importante foi estar junto a quem me convidou”, disse.
E em sete anos, “muita coisa mudou no futebol distrital”. “Desde que a minha equipa, formada por cinco elementos, tomou posse, moralizámos os dirigentes a estar unidos em prol do espectáculo, demos condições aos árbitros e tivemos uma ponte segura, a construção de campos sintéticos, que vieram a ajudar a modalidade a evoluir. Já nem sequer me lembro dos antigos distritais em que os juízes não eram respeitados e não havia regra. Antigamente duvidavam da honorabilidade dos juízes, hoje tudo está ultrapassado”, frisa. A alteração de mentalidade surgiu com uma das mudanças por si introduzidas. “Implementámos encontros à segunda-feira para analisar os jogos do anterior domingo. Falamos, trocamos ideias e convivemos. À quarta-feira vamos para o Estádio Municipal e também para o pavilhão anexo e exigimos trabalho dos nossos colaboradores, depois mais dois dedos de conversa e isso leva a união e ao bem-estar psicológico e técnico”, explica.
No entanto, admite que também “há gente que não está totalmente contente, simplesmente porque não gostam de trabalhar muito. Mas sem trabalho não há promoções. Os juízes têm que mostrar que estão ali para ganhar confiança e seguir um melhor caminho”, frisa.
Outro bom exemplo vem de um curso agora terminado. Humberto Anes sabe que muitos tiram o curso apenas por conveniência, algo que é preciso mudar. “Eu sei que muitos que vêm tirar o curso, fazem-no para currículo. Apesar de só darmos o diploma mais tarde, depois de começarem a apitar. Mas como nestes casos a maioria são estudantes, aparecem para apitar, recebem o diploma e vão-se embora”, lamenta.
No entanto, do curso que terminou recentemente, dos 25 inscritos, ficaram 20. “Portanto, não temos problemas nenhuns, tanta categoria nas competições e estamos com gente firme e decidida”, garante.
Leia a entrevista na íntegra na edição em papel do Informativo Desporto