Achados de Cilhades baralham IGESPAR
“Neste momento ainda decorrem os trabalhos. Depois existe um período de reserva científica. No final, será elaborado um relatório e é com base nesse relatório que será tomada uma decisão”, explicou ao Jornal Nordeste Ana Catarina Sousa, subdirectora do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), também ela natural de Bragança.
Ontem, numa visita ao local, com a companhia dos responsáveis da EDP pelo empreendimento (e onde o Igespar não participou, apesar de ter sido convidado), foi possível observar já algumas medidas de contenção dos curiosos, como grades a delimitar a escavação num antigo cemitério medieval ou placas a avisar os curiosos que estão perante uma escavação arqueológica, algo também possível de observar mais acima, no castro pré-românico ali existente. Medidas que não existiam há duas semanas, aquando da primeira visita do Nordeste ao local.
De acordo com Filipe Santos, arqueólogo responsável por aquele sítio, tem havido cada vez mais curiosos a visitar o local das escavações, em busca de tesouros escondidos, o que tem causado constrangimentos. “Com as notícias que têm saído na comunicação social, há pessoas que pensam que vão encontrar um bezerro em ouro aqui enterrado. Não é nada disso. Mesmo as moedas encontradas [cinco] não têm grande valor comercial”, frisou aos jornalistas.
Desde a revelação da descoberta de um cemitério com vários esqueletos completos (perto de uma centena) há cerca de um mês, já foram encontrados mais vestígios da ocupação humana. Na semana passada foi descoberto o primeiro esqueleto masculino, mas também foram encontradas lajes com desenhos rupestres, no meio do cascalho levantado no castro sobranceiro a Cilhades. Recente é também a descoberta de um fosso de defesa, que se suspeitava existir, mas que só foi identificado na semana passada.
Achados estão no estaleiro
da Póvoa, num espaço
devidamente climatizado
Descobertas que estão a ser devidamente acompanhadas pelo Igespar, garante Ana Catarina Sousa. Também Lopes dos Santos, o coordenador do projecto daquela barragem, assegura que nunca houve, por parte da EDP, qualquer intenção de esconder informação sobre as descobertas ali efectuadas.
Para já, sabe-se é que as descobertas terão de ser acondicionadas num local próprio para o efeito, que evite a degradação das peças metálicas (pontas de lanças, adornos de vestuário, ferramentas agrícolas) e vestígios ósseos (sobretudo esqueletos). Nesta altura estão à guarda da EDP, num espaço criado para o efeito e devidamente climatizado, no estaleiro da Póvoa.
António Gonçalves Rodrigues