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Escadaria do Liceu deixa saudades

Escadaria do Liceu deixa saudades
  • 8 de Fevereiro de 2012, 09:47

O arquitecto João Ortega terminou o ensino secundário no Liceu, em 1981, e hoje garante que não é a mesma escola onde estudou há 30 anos. “É outra escola, que nada tem a ver com a escola que nós frequentamos. Como arquitecto devo dizer que esta solução não me parece que seja mais rica ao nível urbano”, constata o arquitecto.
João Ortega reconhece a necessidade das obras, mas lamenta que o edifício tenha sido descaracterizado.
“A imagem do Liceu que o regime que o construiu, quis impor ou deixar à cidade foi destruída com esta intervenção. Na minha opinião, não seria necessário fazer essa destruição”, enfatiza o arquitecto.
Arnaldo Cadavez também foi aluno no Liceu e lembra que assistiu à conclusão das obras naquele edifício emblemático da cidade. “Uma construção de meados dos anos 60 desapareceu. Isto a pretexto de renovar, requalificar, modernizar. São umas modas que eu vejo como fruto da insensibilidade dos agentes do poder”, salienta Arnaldo Cadavez.

Alunos, professores
e funcionários da Escola
Emídio Garcia vão ocupar
as novas instalações no Carnaval

Pedro Vaz, 34 anos, natural de Bragança, também completou o ensino secundário na Escola Emídio Garcia. O ex-aluno reconhece a necessidade de obras no estabelecimento de ensino, mas afirma que vai ter saudades da escadaria.
Joana Gonçalves, de 23 anos, partilha da mesma opinião. “A escadaria era um marco do Liceu, devia ter sido preservado”, constata a ex-aluna.
Confrontado com esta situação, o director da Escola Emídio Garcia, Eduardo Santos, afirma que a escadaria em granito vai manter-se, mas numa disposição diferente para realçar os novos edifícios.
“O projecto contempla um desvio nas escadas, de modo a ir ao encontro da nova entrada do edifício. Sempre foi preocupação da escola chamar à atenção, numa fase inicial, para que nada fosse descaracterizado”, explica Eduardo Santos.
O director lembra, ainda, que todos os blocos em granito foram numerados para serem recolocados no âmbito do novo enquadramento.
A primeira fase das obras do liceu já está praticamente concluída. Os alunos, professores e funcionários vão deixar os actuais contentores até ao Carnaval e passar para as novas infra-estruturas.
Recorde-se que as obras, orçadas em 18 milhões de euros, arrancaram no início do ano passado e foram sofrendo alguns atrasados, visto que a conclusão da primeira fase estava prevista para o final do ano passado.

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