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Os homens dos sete ofícios também foram lá para dentro

Os homens dos sete ofícios também foram lá para dentro
  • 14 de Fevereiro de 2012, 11:18

O clube estava com problemas em arranjar atletas e, como não pode pagar, foi preciso pegar na paixão e amor à terra e toca de dar uma perninha.
O presidente tem na sua mala uma só camisola, a do Lamas. Começou aos 15 anos nos juniores, na altura onde a juventude não dava uma por perdida, e acabou por ficar a um ponto de ir ao Nacional da categoria (Juniores A).
Depois foram 16 anos a jogar nos seniores e algumas alegrias pelo caminho, como o ter ido duas vezes às meias-finais da Taça da AFB. Este ano sonha com a final, pois falta ainda a segunda-mão e a desvantagem trazida de Vinhais [ler texto na página anterior] é pequena. “Sempre amei este clube e, como não tinha presidente, vim para cá. Não podemos pagar nada, mas temos muitos amigos, fazemos lanches e convivemos, como viu neste jogo do Rebordelo. Acabámos cansados e arruinados fisicamente, mas com a esperança muito alta”, sublinhava, ainda a pingar, após um jogo que acabou mais cedo para si, fruto de dois amarelos. Mas “jogar neste clube é como estar a dar à terra aquilo que ela me deu a mim. Jogar à bola cinco anos depois é um gozo enorme”, vinca.
Sobre a obra feita, mostra orgulho. “Já consegui fazer balneários novos e ficaram quase em 40 mil euros. Só nos falta o sintético”, lembra.
Leonel Pires diz que o Lamas não vai parar. “Nem pensar, nem que sejamos só 11, como já aconteceu várias vezes. Faltar nunca, sujar o nome do clube jamais. Esta é a minha terra e será protegida pelos amigos e jogadores, que não falham nas horas difíceis”, faz questão de sublinhar.
Já Licínio Maçaira junta as vezes de treinador às de jogador, criando a situação de ter o treinador a mandar no presidente, com os dois dentro de campo. Alguém imagina Jorge Jesus a dar concelhos tácticos a Filipe Vieira em plena catedral da Luz? Então no Dragão, mais depressa se via Pinto da Costa, com a sua barriguinha, a dar a táctica a Vítor Pereira. Mas este técnico, o do Lamas, tem um percurso diferente. Como defesa central e trinco, por vezes (agora no Lamas virou ponta de lança) começou nos juniores do GD Bragança. Depois passou por várias equipas do distrito com destaque para os três anos que passou no Argozelo. Mais tarde Morais, Coelhoso, Parada, Agora no Lamas como treinador, quatro anos e esta época o jogador deu à costa de novo. Tem 38 anos e joga onde for preciso. No entanto o seu percurso foi sempre como central e trinco.
Mas a sua grande aventura foi no Atlético Clube de Portugal (Lisboa), jogou um encontro e apareceu logo o azar uma grave lesão num joelho, acabou por trazer de volta às origens, a Macedo de Cavaleiros.
No Lamas este ano quando quis ajudar apanhou já um susto. “Estava a dar o meu melhor e a máquina parou (coração). Senti-me mal, mas já passou, tomei todos os cuidados e o médico mandou-me regressar sem problemas”, garante. Talvez tenha ficado ansioso com a prestação do ponta-de-lança Maçaira, talvez tenha sido a vontade de voltar para ajudar, não se sabe bem ao certo. “Isto é um bichinho que nos rói e não nos deixa parar. Não joguei com o Rebordelo porque era necessário estar atento no banco e comandar a equipa, mas vontade não faltou”, diz.

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