Região

“Deixa arder”

  • 6 de Março de 2012, 11:41

O resultado desta “estratégia” de conformismo não podia ter sido pior. Cerca de mil de hectares estão pintados de negro na área de Bragança do Parque Natural de Montesinho, com graves consequências para a pastorícia, agricultura e turismo.
Terá o comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança e o comandante distrital de Protecção Civil perfeita noção do golpe que o incêndio na Serra de Montesinho vai infligir na actividade turística do concelho? Que turistas estarão dispostos a alugar uma casa na aldeia de Montesinho para ver encostas e vales dizimadas pelas chamas? Ninguém, certamente…
Há demasiados dias que as chamas ameaçavam esta zona “protegida”, fosse em lado português ou em território espanhol. Na maioria dos casos, a “estratégia” dos altos comandos foi “deixar arder”, pensando que “o que o que não arde no Inverno, haverá de arder no Verão”. Ou seja, sempre que as chamas não pusessem em perigo aldeias e populações, os bombeiros deixavam arder, até porque a ausência de dispositivo de combate aos incêndios não dava grande margem de manobra. A seca, associada à falta de bombeiros em permanência em número suficiente, transformaram a floresta bragançana num verdadeiro barril de pólvora. De modo que, quando um violento incêndio deflagrou na zona de Calabor (Espanha), foi uma questão de tempo até passar para o lado português e acabar com centenas de hectares de floresta autóctone.
No rescaldo, vale a pena perguntar se os militares que comandam os Bombeiros e a Protecção Civil de Bragança agiram em conformidade para evitar esta tragédia. Se não o fizeram, só têm uma saída, que é colocar os seus lugares à disposição. A floresta que ardeu é (era) demasiado valiosa para a culpa morrer solteira.

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