Despertar consciências
É natural que assim seja, sempre que se põe o dedo na ferida. Neste caso, não há argumento que rebata a enorme área ardida no Parque Natural de Montesinho e a indisfarçável falta de meios humanos no Corpo de Bombeiros de Bragança. Por maior força de vontade e empenho que exista na corporação, não há homens suficientes para combater o elevado número de fogos que tem vindo a deflagar no concelho, de modo que a tragédia estará sempre à espreita neste cenário de seca prolongada.
Daí que o “conformismo” seja a última estratégia a seguir. Mais do que atirar as culpas para o Parque Natural de Montesinho, os responsáveis dos Bombeiros devem “abrir o livro” e dizer claramente que não têm capacidade para acudir a tantos incêndios. Estranha-se, por isso, a passividade do presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Bragança, o silêncio do presidente da Federação dos Bombeiros de Bragança e a inércia do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses. O mesmo se aplica ao comandante distrital de Protecção Civil e ao comandante dos Bombeiros de Bragança. Ambos estão no terreno e têm obrigação de despertar consciências, de alertar para a ameaça que paira sobre a floresta transmontana, exigindo mais meios e um dispositivo alternativo para situações de seca como a que estamos a viver.
Neste período do ano, o efectivo dos Bombeiros de Bragança em regime de permanência ronda os dez elementos e só o espírito de voluntariado conseguiu colocar mais de 30 homens e mulheres no combate às chamas do Parque Natural de Montesinho. Só por isso a tragédia não foi maior. É preciso exigir o mesmo empenho do Ministério da Administração Interna.