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Há 404 anos que a tradição sai à rua em Edrosa

Há 404 anos que a tradição sai à rua em Edrosa
  • 27 de Março de 2012, 09:22

Sete anos depois de ver a luz do sol pela última vez (em boa verdade, a última vez que decorreu a procissão foi há quatro anos, na festa dos 400 anos da confraria), o Senhor dos Passos volta a abençoar as terras fronteiriças dos concelhos de Bragança, Vinhais e Macedo de Cavaleiros.
Um acto de fé que atraiu centenas de pessoas à aldeia há mais de quatro séculos. A Fé move montanhas. Mas, em Edrosa, no concelho de Vinhais, também faz crescer batatas sem ser preciso ir buscar água aonde não a há.
Pelo menos é essa a explicação para esta procissão, que no domingo se voltou a cumprir. “A confraria nasceu porque o povo tinha aí um terreno bastante grande, que não dava nada, nem plantas, nem cereal nem nada. Instituíram esta confraria e a fé levou-os ao Senhor das Cinco Chagas. Fizeram a primeira festa e, a partir daí, dá tudo. Dá batatas e nem é preciso regá-las. Ainda hoje semeio lá batatas e nem preciso de as regar, que a água está a mais de um quilómetro”, garante Américo Rodrigues, um dos membros da confraria.
Mas este não é o único milagre atribuído ao Senhor dos Passos de Edrosa. Américo Rodrigues vai aos recantos da memória e já só desenterra as histórias que os antigos contavam, mas que tem como garantidas. “Eu não me lembro mas sempre ouvi contar que aqui, ao fundo, estas casas começaram a arder. Não havia bombeiros e não conseguiam apagar o fogo. Foram buscar a imagem e o fogo extinguiu-se logo. O meu avô ainda se lembrava e era ele que me contava”, recorda.

São vários os milagres atribuídos ao Senhor dos Passos de Edrosa

Mais recentemente, durante a Guerra Colonial do século XX, todos os habitantes da aldeia que foram lutar em África regressaram a casa sem um arranhão. É por estas e por outras que o seminarista Manuel Rodrigues, um dos grandes impulsionadores actualmente do evento e da encenação dos quadros, explica que a procissão já tenha mais de 400 anos. “É uma procissão que se faz de sete em sete anos, e está na bula de fundação da confraria”, diz.
Desta vez, mais de 300 pessoas participaram nas cerimónias, que contaram com a presença do bispo da Diocese, D. José Cordeiro.

António Gonçalves Rodrigues

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