Ladrões de abelhas ameaçados pelos apicultores
Os roubos das últimas semanas, sobretudo, na zona da Terra Quente, Estarreja e Algarve, puseram os produtores em sentido. “A união faz a força. Temos de avançar nós porque a autoridade não tem força”, lamentava, já à porta do sítio combinado, Paulo Vilarinho, de Macedo de Cavaleiros, que soma um prejuízo superior a três mil euros devido ao roubo de 12 colmeias.
Este enfermeiro aproveita as horas antes de entrar ao serviço para ainda vigiar algumas colmeias, numa das rotas criadas pelos produtores para o efeito. “Vigiamos as colmeias uns dos outros. Vamo-nos revezando”, explicava José Domingos Cordeiro, o presidente da Cooperativa de Apicultores da Terra Quente, que tem cerca de 300 associados.
No seu caso, vem propositadamente de Jerusalém do Romeu para vigiar apiários na zona de Mirandela. Todos os dias, até cerca das duas da manhã. “A partir daí fica o meu filho”, explica. Outros espalham-se também pelos concelhos de Vila Flor e Macedo de Cavaleiros.
Francisco Saldanha também traz a família. Neste caso, para o primeiro turno de vigia veio a esposa, Alfredina. Depois serão substituídos pelo filho e pela namorada. No seu caso, foi mesmo por uma questão de solidariedade que se juntou ao grupo. É dos únicos que ainda não foi assaltado este ano. Por via das dúvidas, tirou três meses de licença sem vencimento da câmara de Mirandela para se dedicar à vigilância. É que a operação é mesmo para manter, pelo menos até ao final de Maio. “Com isto, pelo menos já conseguimos fazer com que abrandassem ou talvez parassem. Apanhá-los em flagrante vai ser difícil pois já estão à defesa e os que mexiam em grande escala provavelmente já se arrependeram de terem mexido”, acredita Paulo Vilarinho.
“Vinham-me roubar o que é meu e ainda me sujeitava a ficar lá estendido?”
Mas se ainda não se arrependeram, podem muito bem vir a arrepender-se. Pelo menos é o que esperam alguns dos vigilantes, que não estão com meias medidas e para enfrentarem a noite levam o que está mais à mão. Roçadouras, machados, paus e mesmo armas de fogo, sobretudo caçadeiras. “Vinham-me roubar o que é meu e ainda me sujeitava a ficar lá estendido?”, perguntava um deles, em jeito de explicação.
Mas também há quem não concorde com tamanho arsenal. O enfermeiro Paulo Vilarinho acredita que, antes de “fazer pior do que eles”, os ladrões, é preciso ligar à GNR. Até porque se pode “apanhar um inocente” no meio da fúria. “Alguns já ameaçaram montar armas apontadas para as colmeias. Mas podemos apanhar algum pastor sem culpa nenhuma”, avisa. Mesmo assim, depois de ligar à GNR, depois de tentar barrar o caminho a algum assaltante que encontre, a terceira via já é mais incógnita. “Logo se vê”.