Agrupamentos a mais em Bragança
A fusão de escolas vai levar os agrupamentos a utilizarem estratégias para captar alunos, o que, a longo prazo, poderá obrigar ao desaparecimento de, pelo menos, um agrupamento por falta de alunos.
A directora da Escola Abade de Baçal, Teresa Sá Pires, deu a sua opinião pessoal no programa e considera que dois agrupamentos eram suficientes. “A nossa população escolar é tão reduzida, que tem que haver aqui bom senso a gerir esta questão entre os agrupamentos”, defende Teresa Sá Pires.
A transferência de alunos entre agrupamentos para completar turmas é uma situação que também preocupa os pais. A presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas Augusto Moreno, Adília Alves, defende que a proximidade da escola é fundamental para os encarregados de educação.
Alice Suzano diz que há questões políticas por detrás do processo de criação de agrupamentos em Bragança
“Preocupa-me, porque numa cidade, embora seja pequena, o serviço de transporte público não é o melhor e isso significa que os pais tenham que levar as crianças a uma escola que a mim me fica a meia hora a pé de casa. Como eu, muita gente mora e trabalha na freguesia da Sé e deslocar-se até à zona onde se situa a Escola Miguel Torga não é uma decisão sensata”, realça Adília Alves.
A fusão de escolas em Bragança contraria a tendência nacional dos mega-agrupamentos. A dirigente do Sindicato dos Professores do Norte (SPN), Alice Suzano, contesta a criação de tantos agrupamentos na cidade e diz mesmo que este processo é uma guerra política.
“Como é que uma escola que estava completamente moribunda, que tem 300 alunos, consegue aglutinar o pré-escolar e o primeiro ciclo e ainda lhe vão criar o segundo ciclo. Isto mais parece uma guerra entre uma Junta de Freguesia e a outra”, salienta Alice Suzano.
Recorde-se que o coordenador do grupo de estudo da Carta Educativa, Henrique Ferreira, justifica a criação do agrupamento que une a Escola Miguel Torga e o Centro Escolar de Santa Maria com a necessidade de dar vida ao centro histórico. No entanto, o responsável reconhece que a capacidade de sobrevivência deste agrupamento só poderá ser avaliada a longo prazo, sendo certo que terá mais dificuldades em captar alunos.