TDT e PT
Um país que suporta sucessivos prejuízos na Carris ou no STCP, mas deixa dezenas de aldeias transmontanas sem autocarros quando acaba o período escolar. Um país onde o gás chega por condutas ao litoral, mas encarece quando levado para o interior em camiões-cisterna. Um país onde a fibra óptica só chega a alguns e a Banda Larga perde velocidade à medida que se afasta do mar. Um país que introduz a Televisão Digital Terrestre (TDT) e consegue deixar 700 mil pessoas sem sinal. Um país onde a maioria tem TDT gratuita, mas uma minoria tem de assinar um pacote de 15 ou 20 canais para continuar a ver os quatro que nada cobravam. Um país que entrega a implementação da TDT a uma empresa que também vende serviços de televisão por cabo ou satélite. Um país onde a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) apresenta lucros de 30 milhões de euros/ano, mas dá respostas evasivas às queixas dos cidadãos que ficaram sem televisão gratuita. Um país onde as regras do mercado televisivo e de comunicações são reguladas pelos grandes operadores, numa verdadeira ditadura de preços que não deixa alternativa ao cliente. Um país que está a liberalizar a distribuição de energia, mas na mesma lógica de cartel. Um país onde a PT distribuiu o sinal da TDT de acordo com as suas conveniências e a lei do menor esforço financeiro. Um país onde esta mesma empresa criou um call center em instalações do município de Bragança, mas deixou 14 por cento dos habitantes do distrito sem TDT. Um país onde um município atribuiu o título de “Embaixador de Bragança” ao administrador da PT, Abílio Martins, sem lhe reclamar uma cobertura decente de TDT para todos os munícipes. É este o país que temos.