PS-Mirandela acusa Câmara de “discriminação”
Segundo os vereadores socialistas, 71 por cento dos 7,6 milhões de euros inscritos no plano de saneamento financeiro da autarquia vão servir para pagar às Águas de Trás-os-Montes, à Associação de Municípios da Terra Quente e à Resíduos do Nordeste.
A vereadora socialista, Júlia Rodrigues, considera que os 29 por cento que restam não chegam para pagar muitas das dívidas acumuladas. Por isso, propôs ao executivo medidas para dar prioridade ao pagamento dos fornecedores locais. “É preciso fazer uma discriminação positiva relativamente aos fornecedores de Mirandela, porque muitas empresas já estão com dificuldade em manter trabalhadores e pagar aos próprios fornecedores, dado que a Câmara já tem valores em dívida desde 2006”, salienta a responsável.
Recorde-se que a autarquia apresenta um passivo de cerca de 19,5 milhões de euros a fornecedores e empreiteiros, que está a ser pago através do plano de saneamento financeiro. “Existe uma espécie de compromisso com alguns fornecedores e empresários locais no sentido do plano saneamento financeiro liquidar as dívidas, mas não chega para pagar o montante global, fica muito aquém”, refere Júlia Rodrigues, acrescentando que “a grande fatia desse montante é direccionado para grandes empresas”.
O presidente da Câmara diz que vai ter em conta as dificuldades das pequenas empresas e tratar todos os fornecedores de igual forma. “Nunca foi dada prioridade às grandes empresas. Temos feito a gestão dos pagamentos atendendo às dificuldades e equilíbrio das empresas”, refere António Branco. “Aceito a proposta que iremos avaliar, mas nós temos é de assumir os compromissos que temos, tratando de igual forma todas as empresas locais”, acrescenta. Quanto às empresas de Mirandela, “não vemos inconveniente nenhum em dar-lhes prioridade, dentro daquilo que a lei nos permitir”, ressalva o edil.