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“Preocupam-me certos casos de marginalização do Interior”

“Preocupam-me certos casos de marginalização do Interior”
  • 4 de Julho de 2012, 08:47

Aliar a Cultura ao Turismo é, segundo o governante, um passo importante para planear o futuro do País. Em entrevista ao Jornal Nordeste, o secretário de Estado falou de projectos culturais, mas também do encerramento de serviços que está previsto para o distrito onde foi eleito deputado.

Jornal Nordeste (JN) –Qual a importância dos projectos culturais e de recuperação do património para o Nordeste Transmontano?
José Viegas (JV) – Temos assistido nos últimos tempos a uma redescoberto do património cultural em Bragança. Temos o exemplo das obras que foram concluídas na Igreja de Outeiro, que é um exemplar fantástico, que era bom que os portugueses conhecessem.
Esta ligação entre as autarquias e o seu património tem sido decisiva para a criação de fenómenos de desenvolvimento regional e, até, de identificação cultural das comunidades.

JN – Em época de crise há dinheiro para continuar a recuperar património?
JV – Portugal é o País com mais densidade de património edificado de toda a Europa. E são elementos de riqueza incalculável em Portugal. Estamos neste momento a desenhar redes e colocá-las em relação com o turismo, que é uma das relações que faltava. Para que quem nos visita o faça também pelo nosso património. Os dados que temos do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto, é que as viagens de curta e média duração à chegada 67 por cento estão relacionadas com visitas ao património.
Agora há sempre pouco dinheiro.

JN – Qual a solução para que Bragança volte a ter cinema?
JV – Nós oferecemos já à Câmara de Bragança e esta aceitou, que é integrar a futura rede de cine-teatros do País. Tem um cine-teatro muito bom, com condições excelentes, e quando nós no Outono lançarmos a rede de Cine-Teatro, naturalmente Bragança integrará essa rede.

JN – Foi eleito deputado por Bragança antes de assumir a pasta da Cultura. Como vê a sucessiva retirada de serviços desta região, nomeadamente o encerramento de tribunais e a saída do helicóptero do INEM anunciados recentemente pela tutela?
JV – Eu estou a acompanhar isso e todas estas medidas estão a ser acompanhadas, quer pelos deputados eleitos e, obviamente, preocupam todos os portugueses, nomeadamente alguma possível falta de conhecimento do terreno, que também era importante que os decisores conhecessem melhor o terreno.
A nossa responsabilidade no Governo não é para com uma região, é para com todo o País e portanto na medida do possível vamos tentando ajudar todas as regiões.
Em relação a essas questões ainda não foi tomada nenhuma decisão em definitivo sobre essas matérias e não acredito que haja intenção de prejudicar o distrito de Bragança. Por isso, acredito que ainda é possível recuar em algumas medidas.
Há uma solidariedade institucional com o Governo, agora, obviamente, que me preocupam certos casos de marginalização do Interior e nomeadamente do Nordeste Transmontano.
Mas, o destino de Trás-os-Montes também está nas mãos dos transmontanos. Têm que estudar a situação e verem o que é preciso fazer. Podem fazer pressão, que é legítima e procurar soluções.
O trabalho que algumas autarquias, nomeadamente a de Bragança, têm feito ao nível do património é notável. A jóia da coroa portuguesa é o património. Daqui a alguns anos vamos ter o património para explorar, para vender e para valorizar.

JN – A UNESCO pede o abrandamento das obras na barragem de Foz Tua enquanto não estiverem esclarecidas as verdadeiras implicações da hidroeléctrica no património do Alto Douro Vinhateiro. Acha que é possível conciliar o património com a barragem?
JV – A nossa intervenção tem sido feita com total transparência. Neste momento, a moção aprovada em S. Petersburgo não foi tão radical como era anunciado. E estamos à espera de uma nova missão da UNESCO que venha avaliar no terreno a situação.
Acho que esta é uma boa proposta da UNESCO.
A Cultura tem tido um papel importante neste processo. Temos dado os nossos pareceres. Já chumbámos algumas linhas de alta tensão e continuaremos a actuar.
Acredito que é possível continuar a manter a classificação do património do Alto Douro Vinhateiro e é dessa condição que não abdico.

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