Um sonho que tarda em concretizar-se
A promessa de grandes investimentos, no passado, que acabaram por não se concretizar, criou um sentimento de “desconfiança” que leva alguns interlocutores ouvidos pela Lusa a preferirem aguardar pela formalização do negócio.
“Quando houver um contrato, eu falo”. Eis a reacção do presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Aires Ferreira, que reafirma apenas o que já tinha dito em Outubro de 2001, quando foi anunciada pelo Governo a intenção do gigante do sector mineiro, a anglo-australiana Rio Tinto, investir cerca de mil milhões de euros numa parceria para explorar aquela que é considerada das maiores jazidas de ferro.
O autarca reitera que “será bom, se os impactos forem compensados às populações”.
Aires Ferreira escusou-se a comentar se existem negociações com o município sobre contrapartidas ou se tem alguma informação sobre o curso do processo.
Também o presidente da Junta de Freguesia de Felgar mantém o ditado de “ver para crer” sobre a reactivação das minas de ferro de Torre de Moncorvo, já que oito meses depois do anunciado mega-investimento nunca ninguém o contactou.
“Nem uma palavrinha até hoje”, disse à Lusa António Manuel Castro, que responde a este silêncio com um aviso: “Na hora certa, cá estaremos para conversar”.
As minas são conhecidas como sendo de Moncorvo, por se localizarem nesse concelho transmontano, mas “os jazigos estão todos no Felgar”, como realçou o presidente da Junta.
Esta é uma das razões pelas quais o autarca não entende que até agora ninguém tenha dirigido uma palavra às gentes do Felgar sobre a anunciada e desejada a nível local reactivação das minas.
Outra razão são os impactos da extracção do minério a céu aberto que “vai alterar a paisagem”, além da poluição que acarreta.
“As poeiras caem todas no Felgar e no Carvalhal”, afirmou, referindo-se às duas aldeias que constituem a freguesia.
Quando, em Outubro, foi anunciado o interesse do gigante internacional do sector mineiro, a anglo-australiana Rio Tinto, em investir no ferro de Torre de Moncorvo, o presidente da Junta do Felgar reagiu afirmando que para crer, tem que ver.
Mantém a mesma posição até hoje, porque “já era para ter sido assinado o contrato, mas ainda não foi”.
Para além da criação de postos de trabalho, devia haver contrapartidas para a freguesia
“Toda a gente está na expectativa que isto surja, sempre vai criar postos de trabalho, o que era bom na altura (de crise) em que estamos”, disse. Ainda assim, o autarca está convencido de que “quando isto começar (a exploração do minério), Portugal já está fora da crise”.
Os postos de trabalho são o mais aliciante para o autarca de uma freguesia com 954 residentes, sem ofertas locais de emprego. “O pessoal vai embora porque não tem trabalho”, declarou.