Empresas lucram com aumento do IVA em Espanha
Em Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro, os proprietários das empresas de tanoaria e cutelaria acreditam que com o aumento dos preços dos concorrentes do outro lado da fronteira podem ser mais competitivos no mercado internacional.
A maioria das empresas instaladas nesta aldeia do Planalto Mirandês exporta para Espanha. Para algumas, como é o caso da tanoaria de Manuel Gonçalves, o mercado espanhol é mesmo o principal cliente.
Mesmo assim, os empresários não temem a retracção dos mercados e acreditam que o empreendedorismo, a criatividade e a inovação dos industriais de Palaçoulo é suficiente para vingar no mercado.
Sérgio Gonçalves, empresário do sector da tanoaria, acredita que as empresas da região vão beneficiar com o aumento dos impostos na vizinha Espanha. “Vai fazer com que o produto espanhol seja mais caro e no caso de empresas exportadoras, como o sector do vinho, acabam por fazer compras fora de Espanha”, constata o empresário.
Na óptica de Alberto Martins, empresário do sector da cutelaria, a subida do IVA em Espanha vai aproximar mais os preços dos produtos portugueses e espanhóis.
Presidente do NERBA diz que empresas da região vão tornar-se mais
competitivas com
o aumento do IVA
em Espanha
“Poderá de alguma forma nivelar aquilo que são os preços médios de mercado praticados entre ambos ao países. Se é verdade que numa factura intra-comunitária vão ter que entregar mais ao Estado, também é verdade que as empresas que poderão absorver o seu produto também terão esse aumento. Portanto essa dificuldade será de ambos os lados”, realça o empresário.
O presidente da Junta de Freguesia de Palaçoulo, Manuel Gonçalves, também é empresário e teme uma diminuição do volume de exportações com a crise a agravar-se do lado de lá da fronteira.
No entanto, o autarca acredita que os empresários de Palaçoulo vão conseguir dar a volta à crise, como têm feito até aqui, para que esta aldeia do Planalto continue com taxas de desemprego praticamente nulas.
Quem também acredita nos benefícios trazidos pelo aumento do IVA do lado de lá da fronteira é o presidente do Núcleo Empresarial de Bragança – NERBA. Eduardo Malhão diz que as empresas da região que exportam vão conseguir ser mais competitivas em termos fiscais. “De facto era importante que existisse uma harmonização fiscal e este grande discrepância que existia entre o IVA dos dois lados da fronteira distorcia a concorrência e prejudicava muito as empresas portuguesas”, sustenta o representante dos empresários.