Gasoduto Mangualde-Zamora pode atravessar distrito de Bragança
Em cima da mesa estão dois corredores. Um prevê a passagem do gás natural em território transmontano, abrangendo os concelhos de Torre de Moncorvo, Mogadouro, Vimioso e Miranda do Douro. O segundo aponta para a construção do gasoduto entre Mangualde e a fronteira de Vilar Formoso, utilizando território espanhol para chegar a Zamora.
O traçado está a ser optimizado entre os agentes dos dois países, e há questões ligadas aos índices de consumo em ambos os lados da fronteira que ainda estão a ser avaliadas. No entanto, há um argumento que joga a favor de Trás-os-Montes, já que Portugal ganhará capacidade de armazenamento, caso o gasoduto se desenvolva em solo nacional.
Uma das principais vantagens deste projecto para o distrito de Bragança é a possibilidade de ligar a região à rede de gás natural, o que resultará na diminuição dos custos de abastecimento, que é assegurado por camiões-cisterna. Actualmente, Bragança é a Unidade Autónoma de Gás (UAG – designação das zonas abastecidas por gás natural liquefeito (GNL), transportado por camião cisterna) com maior consumo no País, mas para tirar vantagem da passagem do gasoduto terão de ser construídos ramais que assegurem a distribuição do gás em baixa.
Bragança
lidera consumo
O desenvolvimento da rede capilar à volta da espinha dorsal do transporte do gás não depende da REN, mas sabe-se que uma coisa condiciona a outra. “Se o gasoduto não passar em Trás-os-Montes, esta região ficará sempre com pequenas ilhas de abastecimento”, reconhece Rui Marmota, director da REN Gasodutos.
Recorde-se que o GNL é transportado semanalmente por camião cisterna entre o porto de Sines e a estação de gaseificação do Alto das Cantarias, em Bragança. O mesmo sucede em outras cidades transmontanas, nomeadamente Vila Real, Chaves e Mirandela.
Cada camião cisterna transporta uma quantidade de GNL suficiente para abastecer uma cidade como Chaves durante três ou quatro dias, dependendo da estação do ano.