Um ano para esquecer
Não há memória de um Governo que tenha ensaiado tão violento ataque aos bolsos dos portugueses. Não há registo de um executivo como este, que navega ao sabor do vento, que hoje diz uma coisa e amanhã faz outra totalmente contrária. Dúvidas? Veja-se o caso da tolerância de ponto para a Função Pública, a 24 e 31 de Dezembro, ou do conturbado processo de privatização/concessão da RTP.
No caso particular de Trás-os-Montes, também não há motivos para brindar com champanhe. Nos anais da História ficará a suspensão da carreira aérea Bragança-Lisboa e a incapacidade para desbloquear a questão do Túnel do Marão. São toneladas de betão armado e maquinaria pesada que continuam a aguardar que o Governo passe das palavras aos actos para concluir uma obra que irá afastar, para sempre, o receio de subir ou descer o Marão em época de neve e nevoeiro. Há mais de um ano que os trabalhos estão parados, coisa que certamente não aconteceria se, em vez do Marão, este túnel atravessasse o Monsanto ou o Monte da Caparica. Mas é este o País que temos, há muito anos, demasiados, até. O Portugal das assimetrias, da Lisboa magnífica e do resto que é paisagem. Do centralismo e da falta de vontade para conhecer a realidade, da incapacidade para resolver problemas, romper barreiras, dizer não aos interesses instalados e pôr a Economia a mexer. E é este o País que, este ano, vai pôr à prova a capacidade de resistência dos portugueses, mas uma vez…