10 cursos do IPB sem alunos
10 licenciaturas do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) não tiveram candidatos na primeira fase de colocações no Ensino Superior. Na Escola Superior Agrária de Bragança há quatro cursos que não tiveram um único candidato, o mesmo acontece na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança, em que quatro licenciaturas em engenharia ficaram desertas.
Esta não é uma realidade nova para o presidente do IPB. Sobrinho Teixeira lembra que o problema está nas regras de acesso impostas pelo Ministério da Educação e Ciência para os cursos de Engenharia, que limitam o acesso dos estudantes. “Eu não diria que há uma menor apetência dos alunos, bem pelo contrário, é uma necessidade do País. Por isso, penso que aqui há uma visão não adequada da parte de quem tutela o ensino superior porque de facto continuamos a insistir nesse impedimento”, realça Sobrinho Teixeira.
A Escola Superior Agrária foi a que registou a entrada de um menor número de alunos, 10 estudantes no total. “É hoje sabido que o ensino agrário é um dos que tem maior empregabilidade e no caso do IPB isso também acontece. O que é facto é que se criou um estigma em relação à agricultura, desvaloriza-se a actividade agrícola e os alunos não optam por esse tipo de cursos”, lamenta o presidente do IPB.
Aposta em captar estudantes internacionais
Sobrinho Teixeira acrescenta que são os alunos que frequentam os cursos de especialização tecnológica no IPB e que depois prosseguem para a licenciatura que optam pelos cursos da Agrária. “Engenharia Agronómica teve no ano passado zero entradas na primeira fase, tem neste momento 39 alunos”, exemplifica Sobrinho Teixeira.
Nesta primeira fase de colocações foram preenchidas, apenas, 469 das 1374 vagas abertas pelo IPB. Sobrinho Teixeira acredita que vai conseguir o número mínimo para o funcionamento de todas as licenciaturas com a captação de novos públicos, sobretudo de estudantes estrangeiros. “No ano passado o número de alunos que entrou pelos novos públicos representou quase 60 por cento das entradas. Dos números que temos esses alunos irão aumentar. O facto de o IPB se ter situado entre as 10 instituições de maior qualidade em Portugal, no ranking da União Europeia, que deu uma grande visibilidade ao Instituto, associado à qualidade de vida que há na região e ao baixo custo de vida torna-se atractivo para os estudantes internacionais virem para a nossa região”, remata Sobrinho Teixeira.