Restaurante Solar Transmontano continua a somar distinções
“Por exemplo, a sopa de castanhas, as pessoas diziam que tinham memória da sopa de castanhas de casa da avó ou da mãe ou isso mas em restaurantes nós fomos os primeiros. Com o arroz de lebre passou-se exactamente a mesma coisa. Nós abrimos a porta às pessoas de uma gastronomia que se fazia nas casas privadas, nos conventos mas não existia em termos comerciais. Para se comer um arroz de lebre, não havia restaurantes que o fizessem, para comer uma alheira de “caça” não havia em lado nenhum, poderia haver nas casas privadas pessoas que pusessem perdizes nas alheiras, mas em termos de restaurantes não havia e nós pusemos outras espécies além disso”.
Os produtos são tradicionais e a forma de os cozinhar não é menos antiga, em potes de ferro na lareira ou em forno a lenha.
Mas o reconhecimento é, de acordo com Desidério Rodrigues, fruto “da honestidade da comida”. “ Há um princípio que uma pessoa deve ter na gastronomia, é a honestidade. Porque uma pessoa num momento pensou que ganhou muito com um cliente e depois com o tempo isso torna-se prejudicial para nós, embora o cliente vai lá, tem de comer daquele momento um bife mal preparado e já não tem correcção amanhã. É impossível ter uma casa aberta e enganar constantemente. Depois se tivermos uma máscara com o cliente, a máscara pode ser arrancada contra nossa vontade. Estamos aqui junto à fronteira, a minha casa e outras aqui em Bragança são logo a primeira imagem que dão de Portugal, nós somos um bocadinho responsáveis por isso, devemos pensar nisso, ser cuidadosos”.
O proprietário do Solar entende que a cozinha regional e o conceito de produtos que lhe estão associados têm mais futuro do que os pratos mais vanguardistas.
“A cozinha regional e o conceito de produtos que lhe estão associados vendem melhor e têm mais futuro que os pratos elitistas, um cliente vai a uma casa, tem um prato muito bem feito , come-o mas se o quiser levar para a família tem que lhe contar a história, não o pode levar. Enquanto que um produto regional come aqui uma alheira ou uma chouriça, ele vai a uma tenda e encontra a minimamente parecida”.
Manter-se fiel às tradições tem sido o lema do solar bragançano, que com 29 anos continua a recolher distinções. Escrito por Brigantia.