Hipótese de fogo posto no Cachão admitida pela administração do complexo
O incêndio veio aumentar os receios dos moradores e empresários instalados junto da sede empresa de gestão de resíduos, às portas da cidade de Mirandela, na entrada Oeste da A4.
Sónia Carvalho, proprietária de uma fábrica de alheiras junto à Mirapapel não esconde a preocupação.
“O que aconteceu no Cachão, se acontecer aqui ao lado é muito mais grave porque temos habitações e fábricas, uma vida inteira que pode estra dependente de um fósforo. Trabalhamos com matérias inflamáveis, temos um tanque de gás e lenha colados à Mirapapel”, refere a empresária.
Entretanto, o incêndio foi dado como extinto, ontem à tarde, apesar de ainda se manterem no local alguns operacionais como medida de prevenção para possíveis reacendimentos.
Depois do autarca de Mirandela ter considerado “muito estranho” o incêndio numa altura em que as temperaturas da região são muito baixas, ontem foi a vez do administrador da Agro-Industrial do Nordeste (AIN), que gere o complexo do Cachão, ir mais longe.
António Morgado fala em fogo posto.
“Houve dois focos de incêndios, um nos resíduos do anterior que foi apagado e não evoluiu porque são resíduos já queimados e depois o outro de baixo, o maio, e isso leva-me a concluir que foi fogo posto, em dois pontos do complexo e sobre os mesmos materiais, e da mesma empresa. É estranho”, sustenta o administrador da AIN.
Relativamente às críticas da população que responsabiliza as autarquias de Mirandela e Vila Flor – accionistas da AIN – de inércia neste caso, o administrador reitera que tudo tem sido feito para que o proprietário da Mirapapel retire o plástico, mas diz não haver qualquer vontade de colaboração do empresário.
“A dona do material e do edifício devia tê-lo retirado. As câmaras têm-se empenhado em resolver o problema, já tiveram reuniões e não dão solução. Depois de ardido, que valor tem, quanto custa transportar, para onde vai, quem o recebe?”, questiona.
O Administrador da AIN entende esta postura do proprietário da Mirapapel. Ao que apuramos, o empresário já avançou com uma queixa-crime contra desconhecidos para as autoridades investigarem as causas do incêndio. Escrito por Terra Quente (CIR).