Sala de cinema da Torralta guarda memórias de mais de 30 anos de sessões
“Para mim foi um choque foram muitos anos, muitas horas dadas àquela casa. Mesmo a nível de sonorização era das melhores do país. Quando veio cá o Teatro Nacional de São Carlos foi referido que no interior do país nunca tinham visto uma sala no interior com uma acústica como aquela”, referiu.
Vitor Azevedo projectava películas, mas também trabalhou na bilheteira e recorda com saudades os tempos em que a sala se enchia, por vezes mesmo nas três sessões diárias.
“As sessões eram diárias tínhamos duas matinés e uma sessão à noite às 9h30. Tínhamos em média três filmes por semana, havia grandes estreias que chegavam a estar uma semana ou 15 dias, tínhamos público para encher a casa durante mais de uma semana com alguns filmes”, afirmou.
O antigo trabalhador do cine-teatro da Torralta tem também pena que o espaço tenha sido abandonado pela população e que não tenha havido interesse em manter a sala em funcionamento.
“Em 2006 entrou quase em colapso. Reduzimos as sessões e depois só se faziam espectáculos esporádicos. Ainda hoje a cidade comportava uma sala de cinema. Foi investido muito dinheiro naquela sala e foi pena a população da cidade ter-nos virado as costas, no fundo trocaram uma sala que tinha muitos anos na cidade pela máquina das pipocas”, lamenta Vítor Azevedo.
Depois de a Torralta fechar, Bragança manteve cinema por mais alguns anos mas acabou por perder a exibição de filmes. Agora o município procura encontrar uma solução para que a sétima arte volte à capital de distrito. Escrito por Brigantia.