Adão Silva considera um “absurdo” a partilha de médicos com o Algarve e pede ao governo que actue como o “Zé do Telhado”
Para o parlamentar trata-se de uma injustiça já que na unidade que serve o distrito de Bragança há carência de médicos. Por isso sugere, que o ministério tire a quem tem mais para dar a quem menos tem. “Eu e o deputado José Silvano estamos muito revoltados com esta decisão do governo. Achamos que é profundamente injusta porque retira médicos que são muito importantes para ajudar a população do distrito de Bragança, colocando-os no Algarve. Nós achamos que, o governo devia ter feito como fazia o Zé do Telhado, ou seja, tirar a quem tinha muito para dar a quem tinha pouco. O que o governo devia ter feito era retirar médicos aos hospitais centrais de Lisboa, Porto e Coimbra para colocar no Algarve, onde são necessários, não é retirar dos hospitais onde há poucos. Isto é uma grande injustiça”, frisou Adão Silva.
O deputado considera mesmo a solução adoptada para colmatar a falta de médicos no Algarve “absurda”, porque, em Trás-os-Montes, também há falta de médicos em ortopedia e anestesia e existem listas de espera, salientando que, no Verão, a população no distrito de Bragança aumenta com o regresso de emigrantes. “Isto é o absurdo em cima do absurdo. Nós temos uma equipa de ortopedistas do melhor que há no país, não há dúvida nenhuma mas, por favor não destruam o que é bom. Depois há outro problema, é que a população do distrito de Bragança também quase que duplica no Verão, com a presença de emigrantes e de pessoas que estão fora e que regressam à sua terra”, acrescentou.
Os deputados sociais-democratas querem ainda conhecer os contratos que foram estabelecidos com os médicos da ULS Nordeste que vão prestar serviço ao Algarve e pede cláusulas semelhantes para contratar médicos para a unidade do distrito de Bragança. “Devem ser contratos fantásticos, para atrair gente do distrito de Bragança para o Algarve… Se é assim, queremos que esses contratos se possam aplicar no futuro para trazer médicos cardiologistas, psiquiatras, urologistas, para medicina interna, que temos tanta necessidade no distrito de Bragança…Então que se aplique o mesmo contrato”, observou o deputado.
Apesar da partilha de recursos humanos, a ULS do Nordeste e da Administração Regional de Saúde do Norte garantem que a prestação de cuidados de saúde no nordeste transmontano não será prejudicada. No entanto, ainda esta segunda-feira, um despacho do gabinete do secretário de estado adjunto e da saúde, publicado em “Diário da República”, dá conta da carência de um ortopedista e um anestesista na Unidade de Saúde do distrito de Bragança. Escrito por Brigantia.