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Terrenos expropriados há sete anos em Podence ainda não acolhem estação de serviço

Terrenos expropriados há sete anos em Podence ainda não acolhem estação de serviço
  • 8 de Fevereiro de 2017, 09:26

Faz dia 18 de Maio sete anos que José Alves recebeu a primeira carta a Autoestradas XXI, a dizer que ia ser expropriado de cerca de um hectare de terrenos agrícolas, com “carácter de urgência” por utilidade pública. Uma ordem que não acatou pacificamente.

“Opus-me frontalmente, ainda estive dois dias sem os deixar entrar lá, até que me ameaçaram que me faziam pagar um quanto por dia por as máquinas estarem paradas. Eles tinham uma declaração de utilidade pública. O processo foi em cima do joelho em oito dias resolveram fazer aquilo tudo”, referiu.

Falava-se da construção de uma área de serviço junto à aldeia, na Autoestrada Transmontana, para servir os utilizadores desta via e do IP2. Cândida Alves, irmã de José Alves, foi outra das expropriadas. Até agora, nada aconteceu.

Nos terrenos agrícolas, de onde foram arrancadas as árvores de fruto e vinhas, foram terraplanados. José Alves reforça as afirmações da irmã: o que antes estava cuidado, passou a zona de mato.

Segundo conseguimos apurar, a área de serviço esteve primeiro prevista para Paçó, na freguesia de Mós, já no concelho vizinho, de Bragança. António Rodrigues ficou sem terrenos e sem um pombal, um símbolo icónico da aldeia, porque nele estão pintados os caretos de Podence, do qual agora não pode cuidar devido à vedação que foi colocada. Conta que soube desta mudança de planos na localização antes de ela ser tornada pública.

Foram muitos os habitantes de Podence que ficaram sem os terrenos agrícolas. Cândida Alves não esconde a mágoa com o que perder parte do sustento da casa. Garante, como António Rodrigues, que nunca tiveram informações sobre o que estava a acontecer.

A vinda da área de serviço para tão perto da aldeia, a tapar a vista para a barragem do Azibo, nunca foi consensual.

José Alves mostra um abaixo-assinado, feito pelos habitantes da aldeia, a pedir outra localização para o empreendimento. Contudo, parece nunca ter saído da intenção.

António Rodrigues fala mesmo em favorecimentos, à altura, para que o local da construção fosse alterado para o concelho de Macedo de Cavaleiros.

Nem o presidente da Câmara, à altura Beraldino Pinto, nem o antigo presidente da junta de Podence, Manuel Rodrigues, se mostraram disponível para falar sobre este assunto. Há pouco mais de um mês, a actual autarquia informou ter questionado a Infraestruturas de Portugal e a AutoEstradas XXI, para saber onde pára este projeto.

A concessionária responsável numa resposta por escrito esclarece que o “Projeto da Auto-estrada Transmontana prevê a construção de uma área de serviço no troço nascente da A4 compreendido entre a Amendoeira (concelho de Macedo) e Bragança, tendo sido idealizada para o efeito a área junto à localidade de Podence, todavia a construção da área de serviço está condicionada à verificação de um determinado nível de tráfego ou à manifestação de interesse por parte de algum potencial investidor na construção e exploração desta área de serviço.”

Por sua vez, a Infraestruturas de Portugal remeteu também por escrito um esclarecimento, onde informa que no “âmbito do recente acordo de renegociação do contrato de subconcessão, ficou estabelecida a abertura da referida área de Serviço no primeiro ano seguinte a ter sido registado um limite máximo de Tráfego Médio Diário Anual de 7000 veículos.” Actualmente, neste troço circulam pouco mais de 5000 veículos por dia. Escrito por rádio Onda Livre (CIR).

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