Colocação de professores obriga dezenas de pessoas a mudar toda a sua vida
“Este ano fui colocada em Cinfães do Douro, tive que alterar a minha vida toda, tive de mudar a residência para lá. Levo uma filha com 9 anos, que frequenta o 4º ano, que deixou a escola dela e os amigos dela, que todos os fins-de-semana é sujeita a uma viagem de 440 km de distância e à segunda-feira levanta-se às seis da manhã para poder estar na escola às nove. Cá (Bragança) deixo um filho com 14 anos, que está no 9ºano. A minha família está dividida por estas circunstâncias.”
Esta é a história de Margarida Nicolau, professora do ensino especial de Bragança que foi deslocada para Cinfães do Douro este ano. está a 200 km de casa.
Além de professora Margarida é também mãe de família levou a filha de nove anos consigo, enquanto o filho de 14 ficou em Bragança com o pai que é empresário. A história de uma família dividida pelo que Margarida considera uma injustiça que podia ter sido evitada.
“É doloroso para nós principalmente quando reunimos em actividades como a de hoje (comemoração dos 150 anos do Abade de Baçal), é muito emocionante para mim e para a minha filha, que anteriormente pertencia ao grupo coral brigantino, e agora teve de ficar só assistir porque deixou de poder vir aos ensaios. São estes momentos que nos fazem revoltar, pela situação dos concursos deste ano lectivo, eu arrisquei aproximação à residência depois de ter apanhado QA, não consegui, tentei a permuta, com um colega de Arouca que ficou em Vinhais, mas também não me foi permitido, só pela situação de o colega ser contratado e eu ser QA.”
Foram muitos os professores empurrados para lugares longínquos, enquanto as vagas vieram a ser ocupadas por outros que estariam muito mais abaixo nas listas de graduação. Margarida diz que as coisas podiam ter sido de outra maneira se a burocracia tivesse em conta a vida real.
“São situações que o nosso ministério da educação deve repensar e analisar, são famílias divididas, sentimentos à flor da pele, que o ser humano não está preparado para aguentar. “
É a história de uma família como tantas outras que foi obrigada a reorganizar-se por causa das burocracias e da polémica de mais um concurso de colocação de professores.
Uma história para conhecer ao pormenor na edição desta semana do Jornal Nordeste.