Região

Ondas de calor, períodos de seca e de chuva intensa vão ser mais constantes na Terra Fria Transmontana

Ondas de calor, períodos de seca e de chuva intensa vão ser mais constantes na Terra Fria Transmontana
  • 27 de Setembro de 2018, 10:02

Estas são as principais conclusões do estudo feito no âmbito do plano Intermunicipal de Adaptação às alterações climáticas para a Associação de Municípios da Terra Fria Transmontana. João Medina, da Sociedade Portuguesa de Inovação, responsável por este trabalho, explica que algumas das tendências de mudança do clima são mais críticas no Nordeste Transmontano. “Portugal é um dos países com maior exposição às alterações climáticas. Contribuem para isto vários factores, uns que são mais críticos no nordeste transmontano, nomeadamente as questões relacionadas com a seca, ondas de calor, aumentos de temperatura. Conclui-se que a tendência é que a temperatura continue a aumentar e que os períodos de precipitação estejam mais concentrados, isto quer dizer que vai haver períodos em que chove intensamente e vai haver mais períodos de seca”.

O Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas da Terra Fria do Nordeste Transmontano, que abrange os concelhos de Bragança, Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso e Vinhais, propõe 30 medidas, mas que só serão possíveis de executar caso se mantenha população no território. “O combate ao despovoamento, isto parece uma medida um pouco fora do contexto das alterações climáticas mas o que acontece é que num território com as características de Trás-os-Montes e neste caso da Terra Fria, muitas das medidas de novas culturas de ordenamento florestal, de introdução de sistemas de agro-silvo-pastorícia, só conseguem ser feitas se tivermos pessoas no terreno, nomeadamente no mundo rural e com a tendência de despovoamento e envelhecimento da população isso não vai ser possível por isso é fundamental fixar pessoas”.

Na agricultura, as evidências das alterações climáticas já são notórias por exemplo na existência de cada vez mais culturas tradicionais de terra quente na terra fria. Por isso, o plano apresenta medidas destinadas a este sector, bem como outras de impacto nos meios urbanos. “Medidas de poupança de água, implementação de soluções baseadas na natureza, contra as ondas de calor, zonas de sombreamento e zonas de fresco nos núcleos urbanos. Medidas também para a economia relacionadas com a agricultura, como se podem introduzir novas culturas, como é previsível que apareçam novas pragas ou novas doenças. É uma tendência que precisa ser aprofundada, mas há culturas tradicionais da terra quente que estão a aparecer na terra fria, por exemplo, as oliveiras, o amendoal, ou o castanheiro que se encontra a altitudes cada vez mais altas”.

Outras propostas para fazer face às alterações climáticas na Terra Fria passam pela construção de barragens na bacia do Douro, implementação de medidas verdes nas cidades como canteiros drenantes, re-naturalização de ribeiras, para evitar cheias, e apoio à população idosa em períodos de calor.

Escrito por Brigantia

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin