Sousacamp não encerra nem despede trabalhadores
A garantia foi dada, ontem, pelo administrador judicial de insolvência do grupo, Bruno Costa Pereira, no final de uma assembleia de credores que decorreu no Tribunal de Vila Flor.
“As empresas devem fechar quando não são capazes de operacionalmente não serem rentáveis ou não se consiga perspectivar a sua rentabilidade operacional a curto prazo e não é o caso. Esta é uma empresa que é operacionalmente rentável”, explica Bruno Costa Pereira.
A reunião foi a continuação de outra realizada a 5 de Junho. Nessa altura foram dados 15 dias a dois investidores apresentados pelo accionista do grupo para poder aportar as garantias financeiras necessárias para que os credores possam votar favoravelmente o plano de recuperação. A garantia de 25 milhões de euros ser injectada de imediato no grupo e resolver o passivo não chegou a tempo e por pedido dos credores, o Tribunal de Vila Flor deu mais 20 dias, prazo que termina no dia 17 de Julho. Se o plano for aprovado, o administrador de insolvência mantém-se no cargo até ser feito o pagamento aos credores de 35% dos seus créditos, o que terá de ocorrer num prazo de 30 dias. O processo é encerrado com recuperação e o grupo readquire a sua normalidade de funcionamento.
“Temos que sempre valorizar as garantias que nos foram dadas aqui verbalmente, apesar de elas não estarem na proposta. Foi dado verbalmente em tribunal que a proposta que é apresentada mantém todos os postos de trabalhos e ainda expande o negócio, havendo mais contratações”, refere José Eduardo Andrade, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Industrias de Alimentação, Bebidas e Tabaco de Portugal.
José Eduardo Andrade mostrou-se, no entanto, preocupado que a empresa que venha a cair na mão de estrangeiros.
“Manter uma empresa líder de mercado, ou seja, que detém o monopólio do mercado dos cogumelos na esfera nacional, acho que é um desígnio que todos devíamos abraçar”, diz ainda o dirigente do sindicato.
O Tribunal de Vila Flor deu mais 20 dias, prazo que termina no dia 17 de julho, para que a garantia de 25 milhões de euros venha a ser aportada e permita aos credores da SousaCamp votar de forma esclarecida e convicta, de modo a que o plano de recuperação tenha depois capacidade para ser cumprido.
Escrito por Rádio Ansiães (CIR)