Governo criou linha de crédito por causa dos prejuízos do granizo em Mogadouro
O secretário de Estado da Agricultura e da Alimentação, Luís Vieira, visitou vinhas afectadas pelo granizo de 13 de Julho e, depois do apoio inicialmente definido para tratamentos às vinhas, para evitar perdas maiores, no valor de 15 euros por hectare, o governante anunciou que o governo criou uma linha de crédito, no montante de 1 milhão de euros e que abrange as restantes culturas permanentes afectadas, como o olival e o amendoal. “Pretendemos ir um bocadinho mais além no sentido de apoiar a tesouraria das explorações agrícolas. Criámos portanto uma linha de crédito, no montante de 1 milhão de euros, com quatro anos de duração e com um ano de carência. No primiro ano não há pagamento de amortizações de capital, portanto só há pagamento de juros, e é uma linha de crédito garantida pelo Estado em 70%. Para a banca é mais fácil conceder crédito aos agricultores porque sabem à partida que podem ter a garantia, no caso de haver falta de compromisso por parte do agricultor, sabem que há essa garantia do Estado, de pagamento em 70%. É uma maneira de facilitar o crédito aos agricultores”.
O governante destacou que no planalto mirandês cerca de 140 agricultores já estão cobertos pelo seguro de colheitas e apelou a que mais lhe sigam o exemplo. O presidente do município de Mogadouro, Francisco Guimarães, considera que esta foi “a medida possível” e sublinhou a importância de se recorrer a mecanismos de apoio legal. “Disse sempre que iríamos reivindicar junto do Governo o pedido de apoio. Estivemos sempre unidos com os agricultores, nunca ninguém os abandonou e é para isso que estamos cá. Agora temos que perceber que temos que ter mecanismos legais que é para isso que fui alertado. Há o apoio mas os agricultores são apoiados e se a Comunidade Europeia já faz esse apoio também o Estado faz esse apoio, temos que ter o cuidado de como aqui vamos apoiar e por isso é que isto não é em forma de subsídio mas sim em forma de compensação de tratamento, com os 15 euros por hectare”.
Carlos Conde, viticultor em Ventozelo, afirma que fazer seguro agrícola é fundamental e garante que na sua exploração de 10 hectares todos os anos o faz. “Isto é uma situação como comprar um carro de 30 ou 40 mil euros e não fazer um seguro contra todos os riscos. Na minha exploração todos os anos faço seguro de colheitas. Gosto de dormir descansado e de não ter preocupações. O seguro não fica caro, as pessoas é que não estão habituadas a fazê-lo”.
Manuel dos Anjos Pires tem 33 hectares de vinha, em Mogadouro, e a produção prevista era de 250 toneladas mas agora deverá ter uma perda de 30% e lamenta não ter feito este ano seguro de colheita. “Tenho andado sempre para o fazer, antigamente fazia-o sempre da vinha e do cereal. Arranquei-a e mudei-a para aqui e já dois anos que não faço seguro. É caro mas com a ajuda que dão é capaz de ficar mais barato. É a melhor forma que podem fazer é a linha de crédito”.
A intempérie com granizo de dia 13 de Julho deixou um rasto de devastação em muitas culturas do concelho de Mogadouro. Os produtores têm agora acesso a uma linha de crédito de 1 milhão de euros.
Escrito por Brigantia