Basquetebol adaptado: Mirandelense faz dois mil quilómetros por mês para jogar basquetebol em cadeira de rodas
Nasceu, há 29 anos, com uma deficiência motora grave, resultante de uma doença congénita (espinha bífida).
Paulo Araújo já foi submetido a 19 intervenções cirúrgicas para tentar aumentar o seu grau de mobilidade. Actualmente tem 90 por cento de incapacidade. Mas nem isso o desmotivou e sempre quis atingir várias metas.
Começou a praticar basquetebol em cadeira de rodas, com 11 anos, incentivado por um amigo que praticava a modalidade. “Emprestou-me uma cadeira de rodas, com alguns anos de uso, e comecei a jogar”, diz.
Como não havia competição em Mirandela, procurou outras paragens representando associações de Bragança, Chaves e Vila Pouca de Aguiar, até que, em 2012, surgiu a oportunidade de ingressar na equipa da Associação Portuguesa de Deficientes de Paredes, no Porto, que milita na primeira divisão. “É um clube mais competitivo que me acolheu muito bem e que me permitiu evoluir. É uma segunda família para mim”, adianta.
Com a ajuda dos pais, Paulo tem conseguido manter esta paixão, até porque, Paredes fica a 130 quilómetros de distância. Só para treinar, duas vezes por semana, estamos a falar de duas deslocações, ida e volta, que perfaz cerca de 520 quilómetros por semana, mais de 2 mil quilómetros por mês multiplicados por oito meses, período que dura a competição. “São custos muito elevados em deslocações suportados pela família, porque não há patrocinadores. Tenho de ir aos treinos, duas vezes por semana, sem contar com os jogos. Chego a sair de casa às cinco da manhã quando vamos jogar a Lisboa”, revela.
Todo este sacrifício tem um objetivo bem definido: “Quero ser campeão nacional pelo Paredes e já tenho 5 internacionalizações, mas o meu grande sonho é representar Portugal no europeu de 2021”, revela.
Este mirandelense admite que praticar a modalidade tem sido um factor de motivação para não esmorecer e espera servir de exemplo para quem tem estas limitações. “Ajuda muito a nível físico e psicológico e espero ser um exemplo para quem tem estas limitações. Não podemos baixar os braços”, aconselha este operador de Call Center no Hospital Terra Quente, função que exerce desde Novembro de 2018. “Estava em casa sem fazer nada e isto deu-me uma nova vida”, diz.
Para além do basquetebol em cadeira de rodas, também pratica atletismo e gosta de conduzir, e bem, uma moto-quatro. “Gosto de aventura e adrenalina”, conclui.
Uma lição de vida de Paulo Araújo, um mirandelense que sofre de uma deficiência motora grave, mas que não baixa os braços e quer continuar a somar objectivos.
No fundo, quer ser um exemplo de motivação para quem tem problemas de mobilidade.
Escrito por Terra Quente (CIR)