Região

“Não precisamos construir mais barragens”

“Não precisamos construir mais barragens”
  • 20 de Agosto de 2019, 08:21

Há muito desconhecimento sobre o funcionamento das organizações não governamentais, é esta a principal ideia defendida por Marlene Marques, presidente do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, o GEOTA, uma organização de defesa do ambiente. Com raízes em Frieira, no concelho de Bragança, Marlene Marques defende que há “alguma incompreensão” mas deixa um exemplo que considera positivo. “Eu posso falar daquilo que é a prática do GEOTA no apoio à gestão de uma área protegida de nível local, que é o Paul de Tornada, onde fazemos, em conjunto com uma associação local, a gestão de um centro ecológico educativo, nas Caldas da Rainha. A nossa preocupação é sempre identificar e conhecer o património que existe na zona e depois devolver o espaço em condições à população. Posso dizer que aquele paul é até visitado por estrangeiros que vêm propositadamente ver determinado tipo de seres vivos que ali coexistem com os humanos”.

Para além do sistema político-partidário, Marlene Marques acredita que tem que haver uma “sociedade civil forte” com um trabalho de contra poder que se traduz em organizações como esta a que preside. Para além do sistema político-partidário tem que haver uma sociedade civil forte. Infelizmente em Portugal, não só os cidadãos mas também os governantes, não se reconhece o trabalho importante de contra poder que deve ser feito pela sociedade civil, de forma organizada. As organizações não governamentais de ambiente são isso mesmo e são muito importantes. Temos que trabalhar em conjunto e cada um cumprindo a sua missão”.

No último mês de Maio, o GEOTA “congratulou-se” com a decisão do Governo de cancelar a construção da barragem do Fridão. Segundo Marlene Marques não é preciso construir mais barragens até porque, a produção de energia em algumas delas, fica mais cara que a introdução de medidas de eficiência energética. “Culturalmente, os portugueses, em paralelo aos franceses, que acham que uma central nuclear é algo interessante, têm isso inscrito: ou seja, acreditam que uma barragem é uma coisa importante só porque é uma barragem. A produção de energia nas barragens, como na do tua ou Baixo Sabor, o quilowatt hora é muito mais caro que um quilowatt hora poupado por introdução de medidas de eficiência energética. Neste momento não precisamos construir mais barragens”.

Perante uma região cada vez mais desertificada e envelhecida, Marlene Marques reiterou ainda que no GEOTA se acredita que é possível inverter a migração mas é preciso ver o ordenamento do território como uma “ferramenta” que produz desenvolvimento local e que promove a fixação de pessoas nos territórios.

Escrito por Brigantia

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