Região

Ministério assegura afinal pagamento total das medidas agro-ambientais aos agricultores

Ministério assegura afinal pagamento total das medidas agro-ambientais aos agricultores
  • 18 de Dezembro de 2019, 10:37

Uma semana depois do Ministério da Agricultura ter avançado, em comunicado, que só estaria assegurado o pagamento de uma medida agro-ambiental por cada agricultor, o que, nas contas da CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), representaria um corte de cerca de 20 milhões de euros, tendo em conta que muitos agricultores são beneficiários de mais do que uma medida agro-ambiental, esta segunda-feira, a Ministra da Agricultura garantiu, em Bruxelas, após o conselho de Ministros da Agricultura da União Europeia, que vai prolongar a totalidade das medidas agro-ambientais, em 2020.

O Secretário-Geral da CAP está satisfeito com este recuo, já que entende que a medida muito iria prejudicar, principalmente os agricultores da região transmontana fortemente marcada pela Agricultura de pequena dimensão e reduzida capacidade produtiva.

Luís Mira explica com um dado concreto o que estava em causa.

“Numa época em que se pede à sociedade e aos agricultores esforços acrescidos no sentido de evoluirmos para a descarbonização da economia e diminuirmos a pegada carbónica, quaisquer cortes nos apoios às medidas que sustentam essas práticas teriam resultados negativos, desencorajadores e destruidores de valor associado às práticas agrícolas e seus produtos”, explicou o dirigente.

A título de exemplo, se não houvesse este recuo, só no concelho de Mirandela, o corte no pagamento das medidas agro-ambientais, atingiria cerca de 500 mil euros e iria afetar 270 agricultores, segundo Francisco Pavão, presidente da APPITAD (Associação dos Produtores em Proteção Integrada de Trás-Os-Montes e Alto Douro).

Se este corte fosse uma realidade, Rocha Pires, um agricultor de Mirandela, teria um prejuízo a rondar os 12 mil euros.

“Ainda por cima, isto iria coincidir com uma crise muito grave no setor da olivicultura, devido ao preço baixo do azeite e também com o ultimato das extratoras de óleos aos lagareiros para obrigarem a transferir os custos da sua produção e dos seus investimentos ambientais para os agricultores. Ao contrário de outros locais em que os subsídios são uma mais-valia, mas não são essenciais, aqui, para Trás-os-Montes, são uma questão de sobrevivência”, lembra.

O cenário mudou em apenas uma semana. Esta segunda-feira, a Ministra da Agricultura garantiu que vão continuar a ser pagas a totalidade das medidas agro-ambientais. Escrito por Rádio Terra Quente (CIR).

Proponha um artigo de opinião:
info@pressnordeste.pt
Abrir
Written By
admin