Agricultores queixam-se do atraso no pagamento das medidas agroambientais
Perante a situação de pandemia, o ministério tinha-se comprometido a antecipar o pagamento relativo à produção integrada até ao final do mês passado, mas a transferência de verbas ainda não aconteceu.
A Confederação dos Agricultores Portugueses contesta o atraso. O vice-presidente da CAP, Mário Abreu Lima, explica que o incumprimento afecta a programação face às despesas das explorações. “Foram surpreendidos por terem recebido só uma parte do que era previsível ser pago. Houve uma contestação da nossa parte porque os agricultores foram e são penalizados por toda esta circunstância da pandemia e foram frustrados dentro da sua programação financeira, o que é uma situação grave”, afirmou.
Mário Abreu Lima frisa que o sector ficou desfalcado com todo o esforço para manter a produção agrícola durante a pandemia e que o não cumprimento é, por isso, mais preocupante. “Havia uma expectativa de recebimento, houve as situações que foram programadas com despesas nas explorações agrícolas, não recebendo ficamos penalizados por essas circunstâncias. Apesar de os agricultores não terem parado durante este período, terem garantido a alimentação da população durante o período de recolhimento, o que desgastou todo o sector e neste momento carece de alguma capacidade financeira de resposta às suas obrigações”, afirmou.
Após a pressão, o ministério da Agricultura garantiu que o pagamento seria realizado esta semana.
Carlos Lopes, técnico da Associação para o Desenvolvimento Agrícola Rural das Arribas do Douro, espera que desta vez o compromisso seja cumprido. Enquanto agricultor, também abrangido por este apoio, lamenta os constrangimentos do atraso já que os agricultores não tiveram nenhum outro apoio devido à pandemia. “A senhora ministra disse que vai pagar, vamos ver se paga, porque também havia o compromisso de pagar até 30 de Outubro e não foi pago. Se pagarem até ao dia 15 é bem-vindo, assim conseguimos colmatar algumas dívidas que já existem. Os agricultores não foram beneficiados por mais nenhuma medida a nível da Covid, ao contrário de outros sectores, e estão um bocado desfalcados, ao nível da tesouraria, para suportar os custos. Por isso é que os agricultores têm todo o direito de receber as ajudas a tempos e horas, quando prometido”, refere.
Segundo a CAP está em falta o pagamento de 25 milhões de euros, correspondente a metade do valor do apoio na área das agroambientais, que prejudica directamente mais de 12 mil e 500 agricultores em todo o país. Escrito por Brigantia.