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Número de animais adoptados aumentou durante a pandemia no distrito

Número de animais adoptados aumentou durante a pandemia no distrito
  • 15 de Dezembro de 2020, 10:22

Paulo Afonso, médico veterinário do canil intermunicipal da Terra Quente, o Cantinho do Animal, explica que, o número de adopções, face a 2019, neste momento, já é superior, num total de 146.

“Verificámos um acréscimo significativo em Maio, de 31 adopções, 19 em Junho, em Julho e Agosto diminui um bocadinho. Em Outubro tivemos 23, 17 em Novembro e em Dezembro já vamos com 10. No total são 146 este ano. Sem qualquer base científica que o possa provar, mas o facto de as pessoas estarem em casa confinadas poderá ter resultado numa adopção para efeito de companhia e combater o isolamento social a que todos estamos agora votados. Passamos mais tempo em casa e o animal faz alguma companhia”, referiu.

Também a responsável pelo canil Intermunicipal de Vimioso, Mogadouro, Miranda do Douro e Bragança, disse que “a taxa de adopção aumentou significativamente face ao ano anterior”. Ágata Martins acredita que a pandemia poderá ter contribuído para este aumento: “Até agora já foram adoptados nesta estrutura 64 animais”, afirmou.

Sempre que um animal é adoptado num dos canis, abre portas para que outro seja tirado da rua, uma vez que ambos estão lotados. Por este motivo, Ricardo Lobo, responsável da região Norte da Ordem dos Médicos Veterinários, afirma que muitas instituições estão a ceder a uma pressão de adopção. “Para mim, estão a ceder a essa pressão porque estão lotados e porque têm muitos mais cães que precisam de recolher e que estão nas ruas”, apontou.

No entanto, tanto Ágata Martins como Paulo Afonso dizem que não é disso que se trata, apesar de admitirem que os canis estão lotados e é necessário que um animal morra ou seja adoptado para que outro seja tirado da rua.

“Não temos espaço, estamos lotados e à medida que um animal é adoptado é recolhido outro”, referiu a responsável pelo canil Intermunicipal da Terra Fria. “É muito difícil cá em Portugal (rejeitar um processo), normalmente aceitam-se. As pessoas que têm estado cá e tem visto os animais são pessoas sensibilizadas para esta problemática no nosso país. Mas prefiro que estejam aqui connosco do que serem adoptados só por serem adoptados. Existe uma preocupação do canil, por parte da direcção técnica, se o animal ficará bem cuidado”, afirma Ágata Martins.

“Não há uma pressão em dar os animais para adopção, há é uma lógica de funcionamento que tem como objectivo final que os animais sejam adoptados e todo o nosso foco de trabalho é para que isso ocorra”, frisou Paulo Afonso

Segundo dados da PSP de Bragança e Mirandela, nestes dois concelhos, contrariamente à média nacional, este ano, há menos casos de abandono de animais e casos de maus tratos referenciados. Em 2019, registaram-se 20 crimes de maus tratos a animais e em 2020 metade.

Segundo dados da PSP é também possível verificar que, contrariamente, à tendência do aumento do número de animais adoptados este ano, nos meses de Março, Abril e Maio os casos de abandono e maus tratos em 2020 foram superiores ao período homólogo de 2019.

Não foi ainda possível obter dados da GNR, que abrangem todo o distrito. Escrito por Brigantia.

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