Aumento das explorações agrícolas dá mais vitalidade à agricultara em Trás-os-Montes
Em Trás-os-Montes, entre 2009 e 2019, a superfície total das explorações cresceu 7%, o que significa que mais 45,6 mil hectares são utilizados na agricultura ou foram florestados. Segundo dados da direcção regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN), nessa década, o número de explorações subiu 5% na região agrícola transmontana, sendo que em 2019, nos 12 concelhos do distrito de Bragança, havia 29 mil e quinhentas.
São números que indicam uma inversão da tendência de descida de investimento na agricultura, que se vinha observando nos recenseamentos agrícolas das décadas anteriores, como destaca a directora regional de agricultura.
Na região Norte, o distrito de Bragança teve o maior número de projectos de jovens agricultores apoiados no PDR 2020, angariando também mais financiamento.
568 projectos foram aprovados, num total de investimento de mais de 111 milhões de euros, comparticipados em mais de 58 milhões de euros entre o apoio ao investimento e o Prémio ao Jovem Agricultor.
Luís Carcau é um dos agricultores que engrossa esta lista. O jovem de 25 anos de Pai Torto, concelho de Mirandela, decidiu dedicar-se à agricultura e depois de ter terminado a formação em engenharia agronómica submeteu um projecto de jovem agricultor, para a plantação de 17 hectares de figueiras e 4 hectares de olival. A aposta na agricultura não foi uma decisão de agora. “Temos as condições edafoclimáticas ideais para a produção de figo, temos o desafio do regadio, porque é uma cultura que precisa de água, temos explorações de água próprias para poder fazer o regadio”.
Para Bruno Cordeiro, produtor de amêndoa, que tem também olival e vinha, no concelho de Torre de Moncorvo, a opção pela actividade agrícola, que aconteceu há uns 25 anos, também vem “por influência familiar”. A exploração tem vindo a crescer e já chegou aos 85 hectares de amendoal.
Os apoios comunitários ao sector estão entre os factores que justificam o maior investimento, mas a atractividade dos projectos agrícolas, nomeadamente em algumas culturas, é outra das motivações apontadas por Carla Alves, directora regional da DRAPN. “Os resultados do recenseamento agrícola de 2019 evidenciam uma forte resposta do sector agrícola ao estímulo das políticas, que têm sido relevantes para o aumento da superfície total das explorações, da superfície agrícola útil, do abrandamento de alguns processos de abandono”.
O aumento da superfície agrícola utilizada ficou a dever-se, sobretudo, ao crescimento das culturas permanentes. Entre 2009 e 2019, mais 30 mil hectares foram utilizados para estas culturas, um crescimento de cerca de 16%. As culturas permanentes aumentarem a sua importância, ocupando já metade da superfície agrícola útil de Trás-os-Montes. A CIM-TTM tem 64% de todo o olival da região Norte. O território tem ainda 59% dos soutos e metade do amendoal da região Norte.
O olival é ainda a cultura permanente predominante, mas os frutos de casca rija foram a produção que mais cresceu, nomeadamente o castanheiro e amendoal, que já representam 32% das culturas permanentes e ultrapassou a área dedicada à vinha na região de Trás-os-Montes.