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Pesca atrai cada vez mais jovens

Pesca atrai cada vez mais jovens
  • 9 de Junho de 2021, 07:56

Com as restrições impostas pelo Governo, como a proibição de circulação entre concelhos, muitos pescadores foram obrigados a pôr de lado a sua “terapia”. O Tua, em Mirandela, é um dos rios mais procurados na região para a prática da pesca. Alguns pescadores são até adolescentes.

A pandemia afastou as pessoas da pesca, mas também há cada vez mais jovens a gostar desta actividade.

O gosto pela pesca parece ser uma herança de família, já que se transmite de geração em geração. Um dos exemplos é Carlos Fernandes que aprendeu a pescar com o pai. A pandemia impediu-o de se deslocar do concelho, já que não pesca só em Mirandela, mas também em Chaves, Mondim de Basto e Murça. A participação em concursos também o fascina.

“Mediante os rios em que vamos pescar, adaptamos os tipos de pesca. Na competição requer muita estratégia. A competição também me fascina, o convívio com os meus colegas, com quem discuto estratégias”, contou.

Mas para o pescador, que até já foi campeão regional da segunda divisão e já chegou a estar na segunda divisão nacional, este é um desporto que não é valorizado nem divulgado.

Com 21 anos, Pedro Pinto é um dos pescadores mais novos no clube. Também ele sentiu o impacto negativo de não poder pescar, já que essa é a sua terapia de todos os domingos.

“Naqueles dias em que não se podia sair dos concelhos e não se podia realmente pescar, acabou por custar um bocado, porque eu todos os domingos vou à pesca e ter que ficar em casa era muito mau”, disse o jovem.

Para Pedro Pinto, a motivação passa por querer pescar sempre um peixe maior.

Afonso Ribeiro tem 14 anos e faz jus ao ditado “quem sai aos seus não degenera”, não fosse o seu avô o presidente do Clube de Caça e Pesca de Mirandela. O pequeno adolescente parece ter jeito e há poucos dias conseguiu pescar um peixe que poderia ser um recorde.

“Foi no dia da criança. Fui à pesca com o meu pai e tirei um achigã. Não sei os centímetros, mas era muito grande”, relembrou.

Para João Ribeiro, presidente do Clube de Mirandela são evidentes os prejuízos que a Covid-19 teve na actividade, mas não entende porque foram canceladas as provas durante o confinamento já que considera que pescar é seguro.

Outro dos problemas foi também o aumento do preço das licenças que afastou muitos praticantes de terceira idade desta modalidade. Todos estes factores podem pôr em causa o equilibro dos ecossistemas. Segundo João Ribeiro o peixe lúcio é um dos “invasores” que se não for pescado cria “graves problemas”.

“É um peixe que come o seu peso noutras espécies e provoca grandes problemas e os peixes em desaparecendo há um desequilíbrio bastante grande. Inclusivamente atiram-se a pássaros, aos répteis e acabam por criar graves problemas. Era uma barragem [Azibo] onde havia bastantes barbos, bogas, trutas e agora não há estas espécies”, disse.

A pesca é uma das actividades que atrai pessoas a Mirandela e a Câmara Municipal, em conjunto com o clube, decidiu tirar proveito disso e impulsionar a economia. Está mesmo marcha a criação de uma pista de pesca, explica a autarca Júlia Rodrigues

“Tem como objectivo a implementação de 32 plataformas de pesca ao longo do rio Tua. A criação destas estruturas para a prática da pesca desportiva, em simultâneo com a gestão da vegetação e da estabilização da margem, permitem o acesso e utilização destas plataformas com segurança”, explicou a autarca.

Para a pista de pesca é necessário um investimento de 45 mil euros, candidatado pela câmara ao PROVER.

Escrito por Brigantia

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