Atletismo: “El Comandante” termina carreira de 28 anos
O antigo atleta do Maratona CP, Benfica e Braga refere que fecha um ciclo da sua vida de uma forma tranquila e para trás deixa uma carreira bem sucedida que serve de referência à nova geração de atletas. “Termino de uma forma feliz. Olho para trás e não sinto qualquer frustração. Consegui tudo aquilo que sempre quis fazer. São 33 internacionalizações, Campeonatos da Europa, Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos. E ainda mais feliz me senti por saber que sou uma referência para muita gente”, disse o atleta.
Um percurso que começou no Ginásio Clube de Bragança, em 1994, com um segundo lugar no nacional de corta-mato de juvenis, em Coimbra. Mas, Ricardo Ribas ambicionava mais e partiu para Lisboa, sem dar conhecimento à família, à procura de um sonho. “Antigamente, Bragança e Miranda do Duro estavam muito longe do epicentro do atletismo e as coisas eram mais difíceis de alcançar. Com 16 ou 17 anos tinha a noção que se ficasse pelo distrito de Bragança nunca ia chegar onde queria. Numa maneira talvez louca fui para Lisboa se dizer nada a ninguém, mas foi uma aventura que correu bem”, recordou.
Em Lisboa, Ribas começou por trabalhar num restaurante e conciliava com a prática de atletismo. Na capital o primeiro clube foi o Maratona Clube Portugal. Tornou-se profissional, somou títulos nacionais de corta-mato e apostou nas maratonas. Não tardou a chegar ao SL Benfica onde foi importante na conquista de vários títulos colectivos.
Mas, foi em 2016 que Ricardo Ribas cumpriu o sonho de criança, participou nos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, no Brasil. “Os Jogos Olímpicos são a cereja em cima do bolo da carreira de qualquer atleta. Eu posso dizer que foi 10º no Campeonato da Europa, que fui campeão nacional várias vezes e que ganhei medalhas colectivas, mas aquela prova que vai marcar para sempre a minha vida é a participação nos Jogos Olímpicos”.
Ricardo Ribas é um exemplo de perseverança, trabalho e dedicação, valores que todos os dias transmite aos 72 atletas que treina no clube que fundou, “El Comandante”. “Tenho um projecto online, tenho atletas em sete países e quero focar-me nestes projectos, arranjar parcerias, para que num futuro próximo sejam ainda melhores”.
“El Comandante” termina a carreira mas não a ligação ao atletismo. Ricardo Ribas vai continuar como treinador e nos capítulos da história de 28 anos como atleta deixa escrito a conquista vários títulos e pódios e 33 internacionalizações, 14 em pista, 15 em corta-mato e quatro em estrada.
Ricardo Ribas representou o Ginásio Clube de Bragança, Maratona CP, Skoda, GDR Conforlimpa, SL Benfica e SC Braga.