Representantes partidários locais dizem que redução de eleitores no distrito é preocupante apesar de expectável
Em termos percentuais, o distrito perdeu 5% do eleitorado. Um número assustador para alguns representantes partidários locais, mas já esperado por outros. Jorge Fidalgo, presidente da Distrital de Bragança do PSD, sublinha que, além da perda de população, há outra variável que ajudou à diminuição de eleitorado.
“Penso que é um número perfeitamente expectável, atendendo à diminuição da população, principalmente da mais idosa. Com a actualização dos cartões de cidadão, muitos dos nossos conterrâneos, que vivem no estrangeiro, passam agora a ser eleitores no país onde residem”, afirmou.
A perda de eleitorado também era esperada por Sérgio Casado, representante da Distrital de Bragança do CDS. Ainda assim, considera que é urgente reverter a tendência e criar políticas diferenciadoras de fixação de gente.
“É muito preocupante. O distrito está cada vez mais votado ao abandono, as políticas que têm sido implementadas não dão origem à fixação dos jovens. Com isto caminhamos a passos largos para a desertificação do interior”, sustenta.
O concelho de Vinhais perdeu 1003 eleitores e o de Mogadouro perdeu 732. Estes dois concelhos baixaram a fasquia dos dez mil eleitores, o que significa que têm menos dois mandatos para distribuir. Ou seja, as câmaras destes concelhos vão ter apenas cinco vereadores. Jorge Gomes, presidente da Federação Distrital de Bragança do PS, considera ser preciso olhar para estes territórios de outra forma.
“Os territórios de baixa densidade populacional deviam ter uma grelha de composição dos órgãos de poder local diferentes da grelha que é feita para o litoral. Os nossos vereadores têm um território enorme para gerir”, sustenta.
A perda de eleitores traz outro problema ao qual tem sido difícil escapar nos últimos anos: formar listas nas aldeias é, muitas vezes, como diz o povo, um verdadeiro ’31’. Jóni Ledo, membro da Comissão Coordenadora Distrital de Bragança do Bloco de Esquerda, lamenta que isto leve à perda de capacidade crítica.
“Cada vez é mais haver listas nas freguesias, mas também se nota que com a redução do número de eleitores a capacidade crítica nos concelhos é cada vez menor, cada vez mais os empregadores são as câmaras municipais”, referiu.
A pandemia também pode afastar algumas pessoas das urnas de voto. Fátima Bento, da Direcção da Organização Regional de Bragança do PCP, espera que as pessoas saiam à rua para exercer o direito de voto.
“Os números da abstenção não costumam ser tão elevados, o que o PCP e a CDU esperam é que todos os eleitores se dirijam às urnas, porque é fundamental a sua participam”, destaca.
No distrito de Bragança há 137 703 eleitores inscritos. As eleições autárquicas estão marcadas para o dia 26 de Setembro. Escrito por Brigantia.