Autarcas consideram que perda da população é fruto de políticas centralistas
O presidente da câmara de Torre de Moncorvo, concelho que mais população perdeu a nível percentual no distrito, diz que as políticas locais não têm sido as melhores para todos munícipes. Nuno Gonçalves afirma que a diminuição de população no interior é resultado de políticas discriminatórias do governo central.
“Tudo isto tem a ver com uma política nacional, porque isto é uma causa nacional e a política nacional fez com que os serviços públicos fossem fechando no interior, os hospitais, as finanças, a Caixa Geral de Depósitos foram fechando no interior, a política de remodelação da justiça só teve a ver com poupar dinheiro no interior, tudo foi feito para retirar toda a capacidade que o estado devia ter que é a capacidade de povoar o seu território”, sublinha.
O autarca fez ainda críticas à falta de ensino secundário em regiões do Interior, nomeadamente nos concelhos de Vimioso e Freixo de Espada à Cinta, e evidenciou ainda o envelhecimento da população, referindo que se nada for feito, esta tendência de decréscimo populacional vai continuar.
“Se não fizermos nada vai ser pior, vamos transformar este interior numa reserva índia para virem visitar paisagens e o que os nossos antepassados e nós próprios fizemos. Ou o Estado central começa a pensar verdadeiramente naquilo que quer ou o interior desaparece”, sustenta.
Bragança perdeu apenas 2,2% dos seus residentes. Um número muito abaixo em comparação às restantes capitais de distrito no Interior. Ainda assim, o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, reconhece que as medidas tomadas não foram suficientes para inverter a situação.
“Independentemente das medidas que temos tomado no sentido de atrair investimento e criar emprego, de ajudar as famílias, reduzir os impostos para que as pessoas possam ter mais oportunidades não conseguimos que essas condições criadas fossem suficientes para evitar a perda de população o que claramente para nos é um prejuízo grande”, referiu.
O autarca de Bragança, que esteve à frente do executivo em oito dos dez anos, criticou também as medidas tomadas pelos governos, que diz não serem ajustadas.
Já os habitantes do distrito parecem não ter ficado surpreendidos com os resultados, pois consideram que o interior ficou ao abandono.
“Até mesmo os nossos jovens depois de terem terminado o seu curso, procurarem emprego aqui em Bragança ou na zona Norte é um bocadinho difícil, talvez seja isso. A população está envelhecida, não há tantas crianças também”, conta uma cidadã ouvida pela Brigantia.
“Já era de prever, nós estamos um bocado esquecidos no interior, falta de oportunidades, os mais jovens são obrigados a emigrar ou então ir para as cidades do litoral onde está concentrada a indústria e onde há mais oportunidades de trabalho”, afirma outro habitante.
Em dez anos, no distrito, Torre de Moncorvo foi o concelho que perdeu mais população, 20% e Bragança foi o que perdeu menos, 2%
Segundo dados divulgados pelo Instituto dr. Ricardo Jorge, no primeiro semestre deste ano, o distrito de Bragança foi o que registou menos bebés rastreados, ou seja, 253 nos primeiros seis meses do ano, menos 43 que em igual período do ano passado. Escrito por Brigantia.