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Candidatos à câmara de Moncorvo preocupados com perda de população apresentam soluções diferentes

Candidatos à câmara de Moncorvo preocupados com perda de população apresentam soluções diferentes
  • 9 de Agosto de 2021, 09:44

A preocupação é geral, mas os cabeças de lista diferem nas causas e soluções para contrariar a tendência.

O candidato pelo Movimento Independente de Moncorvenses – Nós Aliança, João Marrana, acredita que uma das soluções passa por melhorar as condições de saúde, a par da aposta na educação.

“É obvio que ninguém se fixa num concelho onde as questões da saúde não estão asseguradas. A primeira medida concreta é a reabertura das urgências da saúde e um serviço de saúde eficaz para todos os munícipes. Como é que o vamos fazer? Com quem de direito, com o serviço nacional de saúde. Quem fala de saúde fala de educação, não podemos continuar a desvalorizar a educação da forma como temos feito. Temos de melhorar o serviço de educação e criar novas ofertas, captando novos alunos através de novas iniciativas como, por exemplo, a criação, em Moncorvo, de uma escola profissional ligada às artes e ao turismo”.

Já o recandidato a um terceiro mandato pelo PSD e actual autarca, Nuno Gonçalves, voltou a insistir que a perda de residentes é culpa das políticas do Estado central, nomeadamente da retirada de serviços, recusando que este é um problema municipal. Quanto a propostas aponta a criação de uma nova área de acolhimento empresarial na Junqueira e aposta em projectos na área do turismo:

“Os municípios tentam, por tudo, ir buscar fundos para aumentar essa capacidade de fixar pessoas, nomeadamente em Moncorvo com a nova área de acolhimento empresarial. Os lagos do Sabor têm uma importância fulcral e vamos trazer para cá já este ano, o campeonato nacional de pesca, a taça nacional de pesca e em 2022 o campeonato do mundo. O projecto de transformarmos a amêndoa coberta em Indicação Geográfica Potegida foi um projecto que deu uma notoriedade incrível ao concelho. Nota-se bem a pujança em termos de turismo que tem. Temos muitas coisas para desfrutar, mas queremos ir mais além, queremos que o Douro não seja só uma via navegável de passagem de cruzeiros, e por isso mesmo, lutamos com a APDL para que fosse construído um cais onde possam aportar esses barcos”.

Por seu lado, Adriano Menino, cabeça de lista pelo PS, considera que há acções que devem ser desenvolvidas pelas autarquias, para criar condições de fixação das pessoas como um seguro de saúde gratuito, que propõe bem como um apoio directo na criação de emprego.

“Nós podemos e devemos ter esse papel. Já intervimos no turismo, intervimos na cultura, temos intervenção até na área da saúde, quando, por exemplo, facilitamos o alojamento médico. Porque é que não podemos intervir no mercado de trabalho? Ajudar as empresas, financiar postos de trabalho para que eles sejam duradouros. Uma das nossas atuações vai ser o financiamento do apoio direto à criação de postos de trabalho, devidamente pagos que tragam segurança e estabilidade às famílias. Contratos sem termo, ajudar nos custos sociais do trabalho para que as empresas contratem, para que paguem salários dignos e sustentáveis. E isto não é um custo para autarquia, isto é um investimento, esse dinheiro tem retorno na economia porque as famílias vão comprar casa, as famílias vão-se estabelecer em Torre de Moncorvo”.

Catarina da Costa, candidata da CDU, propõe reverter a agregação de freguesias, para melhorar a ligação e resolução de problemas da população, defendendo também que a urgência funcione a tempo inteiro. Além disso também considera que a câmara pode atribuir directamente rendimentos e defende uma aposta na agricultura.

Há uma iniciativa que vai arrancar em Alcácer do Sal, que é o rendimento básico incondicional. As pessoas com mais de 18 anos podem solicitar esse rendimento, não é cobrado impostos, é-lhes atribuído cerca de 406 euros por mês e acredito que haveria muitos jovens de Moncorvo a aproveitarem esse rendimento para apostarem na sua terra. Há muitos agricultores, há muitas pessoas que vivem da terra e gosto muito da agricultura regenerativa. Acho que também poderia ser uma boa visão para o nosso concelho tentar atrair pessoas, talvez a autarquia possa aí promover, que quem está fora do país, conheça o nosso concelho e, quem esta no país e é filho da terra, tentar criar condições para que voltem”.

Propostas e críticas no debate que reuniu os quatro candidatos à câmara municipal de Torre de Moncorvo.

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