Candidatos à câmara de Alfândega da Fé preocupados com o regadio no concelho
Eduardo Tavares, candidato pelo PS, é o actual presidente, cargo que ocupa desde que Berta Nunes, em 2019, lhe entregou as funções, por integrar a listas do PS à Assembleia da República. O candidato reportou-se ao regadio como uma das grandes bandeiras da candidatura, lembrando que já se atraíram mais de 25 milhões de euros para apostar nesta infra-estrutura.
“Temos mais duas candidaturas aprovadas em parceria com o município de Vila Flor, para investirmos no regadio da Vilariça. Este investimento está acontecer, temos projectos de execução a serem realizados, os processos de emissão do parecer da APA relativamente à construção das barragens que é preciso construir”, explicou.
Vítor Bebiano candidata-se, pela segunda vez, à presidência da câmara, pelo PSD/CDS-PP. O vereador sem pelouro do município, desde 2017, admitiu a importância dos projectos mas considera que pecam por tardio.
“Já poderia estar implementado no nosso concelho de outra forma há muito mais tempo e eu falo directamente da barragem do Baixo Sabor. Quando foram feitas as negociações com a EDP não houve o cuidado do executivo de negociar com eles a captação directa da barragem do Baixo Sabor, podendo de forma muito mais fácil, muito mais simples e com menos dinheiro destes projectos megalómanos do regadio, podermos bombardear a água”, afirmou.
Eugénia Gouveia, candidata da CDU, avançou que o regadio também é uma bandeira da sua candidatura e sugeriu que se pense também em soluções para zonas que ficam de fora do plano.
“É fundamental termos nesta terra reservas de água, porque de outra forma a agricultura fica sem rentabilidade económica. Regadio sim nos sítios em que é possível guardar água, mas continua a haver zonas que não vão ser regadas e para essas zonas também é preciso encontrar soluções, já que há culturas que se adaptam à produção de sequeiro”, defendeu.
No que toca à questão de ser no próprio concelho que se transforma o que ali é produzido, Eduardo Tavares, também presidente da Cooperativa Agrícola de Alfândega da Fé, disse que primeiro é preciso produzir em mais quantidade.
Vítor Bebiano aproveitou a questão para dizer que não entende como é que o candidato do PS acumula os dois cargos. Criticou ainda que este tenha falado como presidente da cooperativa e não como presidente da câmara, pois não se terá mostrado preocupado com a atracção de privados que apostem na indústria da transformação e conservação.
Já Eugénia Gouveia lembrou o que o concelho foi, noutros tempos, em termos de transformação. Recordando a riqueza daquela altura, também acredita que é nesta área que se deve apostar.
O debate foi fortemente marcado por uma série de acusações entre os candidatos do PS e PSD/CDS-PP. Vítor Bebiano criticou Eduardo Tavares por estar à frente da cooperativa, sendo presidente de câmara. O autarca respondeu dizendo ser o responsável por esta ainda estar de pé, já que quando lá chegou estava, praticamente, no fundo do poço. A dívida da câmara, que agora se situa em mais de 15 milhões de euros, também foi discutida. O próximo debate acontece sexta-feira e põe frente a frente os candidatos de Macedo de Cavaleiros.
Escrito por Brigantia