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Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro integra primeira comunidade de energia renovável

Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro integra primeira comunidade de energia renovável
  • 25 de Agosto de 2021, 08:25

Na instituição serão instalados painéis solares para converter a energia do sol em luz. O objectivo é fornecer energia mais barata e combater a pobreza energética, em 100 aldeias do interior, explica o presidente da Cleanwatts, Basílio Simões. “Por um lado ser capaz de produzir energia local, que é a mais barata. Por outro lado, ensinar às famílias como é que podem utilizar melhor essa energia. Nós estamos a criar, com a economia local, a figura do conselheiro de energia em que vamos ajudar aquelas famílias a terem as casas mais bem isoladas, equipamentos mais eficientes para que, com o mesmo dispêndio de dinheiro com a energia, possam ter mais conforto e mais condições”.

Este é o ponto de partida para muitas outras comunidades que serão instaladas no país. Será escolhido um telhado ou um terreno para a instalação dos painéis, que depois servirá como central e irá partilhar energia num raio de abrangência de 7km. A instalação e os custos são suportados pela Cleanwatts. O projecto é financiado com 20 milhões de euros. As famílias interessadas podem aderir à comunidade. “Precisamos identificar o local onde se vai fazer a instalação dessa central. Não tem que ser toda no mesmo local, pode ser num terreno, em alguns telhados, e depois angariamos membros e famílias que digam “Sim senhor, estou interessado em consumir daquela central”. Fazem um termo de adesão e, com esse termo, sabendo onde é a produção, sabendo quem são os primeiros consumidores, nós submetemos o processo à Direcção Geral de Energia. É aprovado e temos uma fase de expansão”.

Os telhados da Santa Casa da Misericórdia de Miranda do Douro vão ser os primeiros a fazer parte deste projecto. Segundo o provedor, Manuel Rodrigo, uma parte da energia gerada é retida na fonte e será depois partilhada com outros parceiros, inclusive com os colaboradores. “Aquilo que pretendemos é que a energia produzida seja totalmente consumida por nós ou por outros parceiros, como a Câmara Municipal, Bombeiros ou até pelos nossos colaboradores. Estamos a pensar em criar uma comunidade em Duas Igrejas, até porque estamos com problemas enormes naquela valência de desperdício de energia, de modo a que possamos produzir energia e distribuí-la por quem quiser dentro da própria aldeia”.

Na sessão de apresentação esteve o ministro do Ambiente e da Acção Climática, Matos Fernandes, que realçou a importância do projecto para reestruturar as comunidades energéticas. “Este é um projecto da maior importância para a criação e estruturação das comunidades energéticas de autoconsumo. Nós criamos a lei que permite que um ponto de produção possa estar associado a vários pontos de consumo. Quanto maior for o telhado, mais simples é nós conseguirmos produzir eletricidade que precisamos a partir de fontes solares. E, por isso, envolver instituições de solidariedade social, neste caso a Misericórdia, que tem um telhado maior do que um prédio comum de habitação ou uma zona industrial, isso é muito favorável. Este é um projecto de inovação social”.

No distrito de Bragança, haverá mais duas centrais de energia, uma em Izeda, no concelho de Bragança, e outra em Mascarenhas, no concelho de Mirandela. A partir daí as famílias interessadas poderão ser abastecidas com energia renovável.

Escrito por Brigantia

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