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Verão húmido prejudica produção da primeira castanha e atrasa a campanha

Verão húmido prejudica produção da primeira castanha e atrasa a campanha
  • 27 de Outubro de 2021, 09:40

A apanha da primeira castanha começou mais tarde e parece que o calibre é mais pequeno que no ano passado. As alterações climáticas parecem ter influenciado a quantidade e a qualidade deste fruto, diz André Vaz, presidente da Cooperativa Soutos Os Cavaleiros, em Macedo de Cavaleiros. “Tivemos dias de calor, numa altura em que já devia chover para ajudar à queda da castanha. Este tempo inconstante, de calor, depois arrefeceu, chuva, calor novamente, atrasou ligeiramente a campanha”, referiu André Vaz, acrescentando que o “Verão húmido” foi propício ao “desenvolvimento de fungos de uma forma que não é normal em Trás-os-Montes”.

A Cooperativa tem cerca de 400 associados e o ano passado a produção de castanha rondou as 700 toneladas. Nesta campanha prevê-se que a quantidade seja menor que nos anos anteriores. “A verdade é que há muitos ouriços que abortaram algumas castanhas e em vez de produzirem três, quatro castanhas, estão a produzir uma ou duas. Face ao que estamos a viver, acaba por não ser muito mau, porque as castanhas que se desenvolverem acabam por se desenvolver melhor do que se tivessem três ou quatro”, salientou.

A falta de mão-de-obra também continua a ser um problema para o sector. Mas há quem recorra à família. É o caso de Albino Rodrigues, que tem mais de dois hectares de soutos em Gondesende, concelho de Bragança e este fim-de-semana reuniu a família para apanhar a sua castanha. No entanto conta que não tem nada a ver como antigamente. “Eu recordo-me de ouvir o meu pai e o meu padrinho dizer que havia poucos castanheiros. Iam com as cestas, com aqueles sacos que eram feitos ainda em tear e depois ia lá os carros das vacas. Agora não, é tractores e carrinhas”.

Este ano, Albino Rodrigues também prevê ter menos castanha, até porque há soutos afectados pela doença da tinta e pela vespa das galhas do castanheiro. “O castanheiro grande que tenho está a secar muito. Primeiro começou o cancro, depois a tinta, que deu muito cabo dele, agora vem a vespa da galha. Tenho um castanheiro, temperão, que este ano também não deve dar nada”.

Simão Alves tem apenas 16 anos e é sobrinho de Albino Rodrigues. Apanhar castanha já não é novidade para si. Desde pequeno que foi criado e habituado a andar nos soutos e nunca se importou. “Eu gosto de andar pelos montes, pelos soutos e aqui na aldeia praticamente só sou eu e uma rapariga da minha idade que também ajuda, mas sou mais eu”.

A apanha da primeira castanha já está a decorrer, mas mais tarde do que no ano passado, e com menos tamanho e em menos quantidade.

Agora começa também a cair a castanha de maiores dimensões, como a judia.

Escrito por Brigantia

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