Igreja do Cachão penhorada deverá ser mesmo vendida
Até agora, já foram liquidados 17 mil euros, através do “congelamento” da conta bancária da fabriqueira, mas faltam cerca de 14 mil euros que têm de ser pagos nas próximas horas, para evitar a venda da Igreja, que está registada como um armazém adaptado para local de culto.
Já houve uma reunião entre o advogado dos arquitetos, a Diocese de Bragança e o pároco da fabriqueira para se tentar um acordo, que se revelou infrutífero. Ontem, cerca de três dezenas de habitantes do Cachão reuniram e decidiram avançar com um abaixo-assinado para entregar às entidades envolvidas no processo para ainda tentar travar a venda da igreja, Caso não exista qualquer avanço, no início da semana dá-se início ao procedimento da venda do imóvel com a notificação da comissão fabriqueira, garante Cidália Santos, a agente de execução que, no passado dia 17 de novembro, trocou a fechadura da igreja, depois de ninguém ter aceitado ficar como fiel depositário das chaves daquele templo religioso, agora penhorado, Só dois dias depois, a igreja voltou a abrir portas, após o pároco local aceitar ficar como fiel depositário.
Alarmadas com a situação, 27 habitantes daquela aldeia decidiram, este domingo, avançar com um abaixo-assinado para pressionar as entidades envolvidas no processo a resolver o caso: Câmara, Junta de freguesia de Frechas, Santa Casa da Misericórdia de Mirandela e a Diocese.
Lurdes Freitas, uma das mentoras da iniciativa, confessa que esperava mais gente a aderir a esta reunião.
Lurdes Freitas ainda acredita que a venda seja travada.
Os populares não calam a indignação com o que está a acontecer.
O caso remonta a janeiro de 2011, quando o arquiteto diz ter sido consultado pelo Padre Abel Maia, a pedir a elaboração do projeto. O acórdão do tribunal diz ter ficado provada a prestação do serviço e que nunca houve qualquer pagamento.
Entretanto, pela primeira vez, o Padre Abel Maia, que na altura era o representante da fabriqueira, aceitou abordar o assunto, mostrando-se revoltado com as acusações de ser o responsável pela dívida contraída.
O pároco não só descarta responsabilidades como garante que a Diocese de Bragança-Miranda tinha conhecimento e deu aval ao projeto.
O Padre Abel Maia diz ter sido apanhado de surpresa com este assunto, 11 anos depois, garantindo que nunca pediu diretamente ao gabinete de arquitetura nenhum projecto.
“Acho que isso é tudo uma trapalhada que anda para aí, porque nunca contratei projeto nenhum nem a fabriqueira fez diretamente nenhum pedido a nenhum arquiteto Acho tudo uma tanguice porque aquilo que a comissão fabriqueira fazia era sempre em consonância com a câmara”, diz.
Sem se conter, o pároco adianta que “foi a câmara que se encarregou de mandar fazer o projeto e a gente depois fazia papéis a pedir a colaboração. Ou era diferido ou indeferido. Enquanto estive aí, nada veio indeferido”, adianta.
Abel Maia também considera que os sucessivos membros da comissão fabriqueira, desde então, deviam ter resolvido o assunto e até avançar com a construção da igreja com o apoio do Município. O pároco lembra que a intenção era dotar a aldeia do Cachão com um espaço religioso com alguma dignidade.
O Padre Abel Maia também desmente a versão da Diocese de Bragança-Miranda de que não tinha conhecimento de qualquer projecto. “Mostrei-o e pedi a dois padres da diocese, responsáveis da parte do património religioso, que dessem o parecer sobre aquele projeto se estava bem ou não e disseram que sim. Essa foi a última reunião que fiz. Depois vim embora daí e acabou”, conta.
Abel Maia rejeita responsabilidades neste caso da dívida da fabriqueira do Cachão a um gabinete de arquitetura que pode levar à venda da igreja daquela aldeia do concelho de Mirandela.
Um processo que pode vir a ter novos desenvolvimentos nas próximas horas. Resta saber se será possível ainda travar a venda a igreja do Cachão. Escrito por Rádio Terra Quente (CIR).