Saúde, estradas e venda das barragens marcaram debate entre candidatos por Bragança com assento parlamentar
Com as eleições legislativas à porta, sete dos nove representantes dos partidos com assento parlamentar participaram no debate promovido pela Rádio Brigantia e pelo Jornal Nordeste.
Sobrinho Teixeira, candidato do PS, afirmou que o Plano de Recuperação e Resiliência foi benéfico para a região e assegura que vai lutar por financiamentos para estradas que não estão nele contempladas, nomeadamente Bragança-Vimioso, conclusão do IC5 e Macedo-Vinhais-Gudiña.
“As ligações dos outros municípios a Bragança são essenciais, iremos pugnar muito, já está no PNI, pela ligação Vimioso Bragança que é essencial. Vamos ter de encontrar financiamento, o mundo não começa e acaba no PRR, há outras fontes de financiamento, o PRR estava tamponado nas ligações de fronteira e nesse aspecto o nosso distrito foi dos mais beneficiados”, sustentou.
José Pires, candidato do Chega, vê as ligações rodo e ferroviárias como fulcrais para o desenvolvimento e para o não abandono da região. Entende que as ligações entre concelhos são, para já, mais urgentes.
“É fundamental, é necessário, é obrigatório que todas as sedes de concelho estejam ligadas por uma estrada com as devidas condições. Não faz sentido que quem se desloca de Bragança a Macedo, que são 40 quilómetros, demore 20 minutos e quem se desloque até Vinhais, que são menos quilómetros, 30, demore 40 minutos. Todas as sedes de concelho têm de estar ligadas, isto é uma forma de podermos fixar a população”, defendeu.
Pelo PSD, Adão Silva, que já foi secretário de Estado da Saúde, queixou-se de que não há médicos obstetras suficientes na maternidade de Bragança, a única que resta no distrito.
“A nossa maternidade de Bragança, o ano passado, só já registou 385 partos, menos 52 que em 2020, para superar isto havia uma possibilidade, que era o senhor ministro das finanças devia ter autorizado, e não autorizou, dois contratos para duas pessoas, a título definitivo para o hospital de Bragança”, afirmou.
Maxim Jaffe, candidato do Livre, defendeu a contratação de mais profissionais de saúde, mas considerou ainda que também é preciso apostar nela de outras formas.
“É muito importante ter especialistas como um profissional de cardiologia, mas uma das questões principais dos problemas de coração é a prevenção, e para isso temos de trabalhar com as pessoas em proximidade e prevenir esses tipos de problemas. A título de exemplo, noutros países temos agentes comunitários de saúde, visitam as pessoas e ajudam a lidar com os problemas do dia-a-dia, muitas vezes podíamos desafogar os hospitais ao ter esse tipo de serviços básicos junto com as comunidades”, afirmou.
A boa cobertura de rede tem sido muito reclamada pelos autarcas e populações. Com o 5G à porta, muitos temem ficar para trás, porque este não chegará ao mesmo tempo a todas as pessoas e regiões. Joana Monteiro, da CDU, defende, para já, aposta em operadoras públicas.
“O básico é a instalação de rede para os telefones que passa pela colocação de uma antena, que pode ser pedida pelo presidente da junta ou da câmara. O problema é que estamos dependentes do sector privado, onde não há lucro não investem”, defendeu.
A descentralização de competências e a regionalização também estiveram em cima da mesa. O Iniciativa Liberal defende a descentralização, mas a candidata Teresa Aguiar diz que este não será o melhor modelo.
“Somos a favor que sejam delegadas competências para o distrito, que possam responder mais eficazmente aos problemas do distrito, mas não confiamos em algumas das coisas que estão a ser feitas neste momento”, refere.
As barragens vendidas pela EDP também deram que falar. Octávio Pires, candidato do PAN, assegura que os impostos que não foram cobrados o deviam ser e que o dinheiro seria importante para ajudar a região a crescer.
“Não ir pela questão jurídica, mas sim por uma questão ética, avançarem já com o pagamento desses impostos, tínhamos tanto onde os investir, se não for a bem que sejam forçados”, afirmou.
O candidato do Bloco de Esquerda, André Xavier, e o candidato do CDS, António Mendonça, não puderam estar presentes por estarem a cumprir isolamento profiláctico. Escrito por Brigantia.