Criadores de animais enfrentam problemas: diminuição do número de efectivo ou abandono de actividade pode ser alternativa para muitos
Com a seca, o aumento da electricidade, dos fertilizantes e dos combustíveis e a falta de cereais, devido à guerra na Ucrânia, começa a ser insustentável produzir, segundo o presidente da Organização de Produtores Pecuários de Vinhais. Carlos Silva acredita que, por estes motivos, muitos agricultores vão abandonar actividade. “Começa a ser insustentável produzir. Se não se ganha dinheiro é melhor parar. Vejo com alguma dificuldade os próximos tempos, principalmente na instalação de novas explorações e no aumento das existentes. Eventualmente, aqueles agricultores mais idosos poderão abandonar a actividade até mais cedo do que aquilo que eles esperavam, por não terem retorno. Isso pode significar a diminuição do número de efectivo de algumas raças na região”.
No último mês, o produtor conseguiu aumentar o preço de venda da carne, no entanto continua a não compensar os gastos. Carlos Silva admite que há resistência do mercado em valorizar o produto. “É um bocado complicado impor preços no mercado. Temos assistido, nos últimos dois meses, a alguma melhoria do preço pago ao produtor, mas o pequeno aumento que houve não compensa o elevado custo que há para produzir. Era necessário, neste momento, aumentar cerca de 50 cêntimos a um euro ao quilo da carcaça”.
E para além de a venda estar longe de rentabilizar os gastos, os agricultores estão ainda preocupados com a possibilidade de o consumo de carne diminuir, divido à falta de poder de compra das pessoas. “Caminhamos para uma grande diminuição do poder de compra dos consumidores. Quando tiver que se cortar vai-se cortar nos bens mais caros. Vão-se comprar os bens mais baratos e isso vai reflectir-se na carne de ovino, de caprino”.
A Organização de Produtores Pecuários de Vinhais apoia cerca de 450 agricultores activos, o que se traduz em 2200 bovinos, cerca 18 mil pequenos ruminantes e 400 suínos.
Os custos de produção duplicaram nos últimos meses e os agricultores dizem que ao preço a que vendem a carne já não compensa produzir.
Escrito por Brigantia