Modelo de co-gestão do Parque Natural de Montesinho alvo de críticas
O modelo tem como objectivo criar uma gestão de proximidade, mais participativa, colaborativa e mobilizadora, mas Telmo Afonso, presidente da União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo, em Bragança, queixa-se de que quem está mais perto das populações não ter voz neste órgão.
“Os presidentes de junta e as juntas de freguesia são aqueles que estão directamente e em contacto diariamente com as populações e ouvem os seus anseios, os seus problemas, aquilo que gostavam de ver resolvido. Tinha sido mais inteligente que os presidentes de junta de Vinhais e Bragança fossem integrados nesta co-gestão”, referiu.
Sandra Sarmento, directora regional do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, não tem a mesma visão e diz que os presidentes não foram esquecidos, porque as “câmaras municipais estão representadas pelos seus autarcas”.
Perante as críticas levantadas, sobre este e outros temas, Hernâni Dias, presidente da câmara de Bragança e da comissão de co-gestão, esclareceu que é tempo de conseguir mudar o plano de ordenamento do parque.
“Aquilo que tem que acontecer a partir de agora é que este novo modelo consiga definir orientações que levem à resolução de algumas questões. Se me pergunta se a partir deste momento tudo vai mudar de forma radical, eu dir-lhe-ei que não, porque a autonomia que os municípios têm neste processo de co-gestão é nenhuma. Naquilo que tem a ver com o plano de ordenamento do parque isso não é alterado pelos municípios, vamos tentar que haja influenciar que haja uma revisão o mais rapidamente possível”, afirmou.
Mudança também é o que o presidente da câmara de Vinhais quer ver. Luís Fernandes queixa-se de que o plano de ordenamento actual afasta as populações do parque.
“Se não acreditássemos dificilmente estávamos neste processo. É com esse intuito que estamos, de trabalhar e ajudar a construir essa mudança que tem que existir para bem das pessoas que vivem nos concelhos de Vinhais e Bragança, porque não faz sentido estar nesta comissão, se não houver alterações”, sublinhou.
O modelo de co-gestão foi apresentado na sexta-feira, em Bragança, e tem em vista a salvaguarda dos valores naturais do Parque Natural de Montesinho. Prevê ainda promover a coesão territorial e responder aos desígnios da sustentabilidade.
Escrito por Brigantia