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Construção de extractora de bagaço em Carviçais já recebeu pareceres positivos e população teme que projecto avance

Construção de extractora de bagaço em Carviçais já recebeu pareceres positivos e população teme que projecto avance
  • 3 de Junho de 2022, 08:52

Os terrenos já foram comprados e distam 900 metros da primeira habitação. Se inicialmente os pareceres foram negativos, depois de alguns ajustes no projecto, as diversas entidades começam a dar parecer favorável.

O cheiro e a nuvem de fumo que pode causar uma extractora de bagaço estão a deixar preocupados os habitantes de Carviçais, onde em 2021 foi anunciada a intensão de construir uma fábrica deste tipo. Sabe-se que já foram emitidos pareceres de várias entidades, como a CCDR-N e a Infra-estruturas de Portugal, que são favoráveis à pretensão. Há condicionamentos, mas resolvidos, dão permissão para o avanço do projecto. Perante este cenário surgiu um movimento de cidadãos que lutam contra a instalação da extractora. Um dos membros, Luís Libano, diz que poucos esclarecimentos têm sido dados à população.

“O que têm dito é muito pouco ou quase nada. Na verdade todos eles se refugiam ou no silêncio ou os poucos que já nos deram respostas vão atrás das entidades que estão acima. A partir de uma determinada fase sentimos que a informação é quase inacessível”, referiu.

Vai ser feito um estudo de impacto ambiental para perceber se é ou não viável a construção da extractora naquela aldeia. Se até agora os pareceres têm sido positivos ainda que condicionados, Luís Libano teme que, se o da Agência Portuguesa do Ambiente também for favorável, a câmara permita o projecto.

“A câmara está precisamente à espera dessas respostas para que possa no final dizer ‘bem já que todos aprovaram nós não estamos em condições de fazer o contrário’”, apontou o membro do movimento.

O investimento é da Casa Alta- Sociedade Transformadora de Bagaços, que já tem fábricas no Alentejo. Relativamente aos impactos que a extractora terá naquela região, a empresa referiu que tem em conta “as melhores práticas industriais respeitando o ambiente e as comunidades de que faz parte”, acrescentando que “cumpre escrupulosamente todas as regras e regulamentos ambientais, tanto de nível europeu como nacional”. Quanto à possível contaminação das linhas de água, explicou que não irá acontecer, porque “as lagoas de armazenamento serão impermeabilizadas por telas de polietileno, resistente a roturas, e telas de geotêxtil, para protecção mecânica”. Trata-se de investimento de cerca de 7 milhões de euros que, inicialmente, terá capacidade «para receber 70 mil toneladas de bagaço. Estima-se que poderá criar 15 postos de trabalho directo.

O Partido Socialista de Torre de Moncorvo, que é da oposição, também já se mostrou contra o projecto. Na última Assembleia Municipal, o grupo parlamentar apresentou uma moção, que foi rejeitada e que pedia esclarecimentos sobre a posição do presidente de câmara. O socialista José Aires quer clareza no processo.

“O objectivo quando propusemos a moção foi que aquela unidade industrial não aconteça. A análise que nós fazemos a nível legal é que quem pode ou não, em última análise, deferir ou indeferir a construção da fábrica é a câmara municipal porque tem poder legais para isso. O que nos preocupa tem sido a posição intermitente e os constantes ziguezagues que têm sido efectuados essencialmente pelo executivo, na pessoa do sr. presidente da câmara”, frisou.

A Concelhia do PSD de Torre de Moncorvo já veio afirmar publicamente que é contra a instalação da extractora. O presidente da concelhia e ainda chefe de gabinete do presidente de câmara, José Meneses, acredita que o projecto não vai avançar.

“Quero acreditar que ninguém vai dar um parecer favorável à construção naquele local. Nós, comissão política dos partidos da coligação PSD/CDS-PP, fomos junto da direcção regional de Agricultura saber qual era a opinião deles e eles foram peremptórios em informar-nos que há dez licenças no país deste tipo de fábricas e não vão licenciar mais nenhuma”, afirmou.

Contactado o presidente da Junta de Freguesia de Carviçais disse que não iria prestar declarações nem acrescentar mais nada, mostrando-se apenas contra o projecto nas redes sociais.

Falta agora o resultado do estudo de impacto ambiental que, se for positivo, tal como outros pareceres, deixa porta aberta para que a câmara de Torre de Moncorvo permita a instalação da fábrica. Até agora não foi possível obter declarações do presidente da câmara, embora tenha sido contactado diversas vezes.

Escrito por Brigantia

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