Carlos Martins assume comando dos bombeiros de Bragança numa altura “perto de crítica” para a corporação
Os bombeiros de Bragança despendem mais cerca de 10 mil euros por mês em combustível, comparativamente com o ano passado e o preço pago por quilómetro para o transporte de doentes mantém-se inalterado há cerca de uma década. Além do preço dos combustíveis também o aumento do salário mínimo deixa as contas da corporação perto de uma situação muito crítica, segundo o presidente da Associação Humanitária, José Fernandes.
“Estamos a chegar a um ponto muito crítico, porque infelizmente o Estado não nos está a remunerar como devia, as nossas despesas neste momento são superiores ao que o Estado nos está a pagar por quilómetro, nós não queremos que as pessoas de Bragança fiquem sem socorro. Mas prometo aqui que o povo de Bragança não vai ficar para trás nem vai morrer por falta de socorro, independentemente de o governo nos apoiar ou não apoiar, porque se não nos apoiar iremos ter com o povo, como os bombeiros já foram muitas vezes, e o povo há-de vir em nosso auxílio e também sabemos que a câmara nos há-de apoiar”, sublinhou o antigo comandante.
Declarações no aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Bragança, que no passado sábado comemorou 132 anos de existência. Cerimónia que ficou marcada pela tomada de posse de Carlos Martins como novo comandante da corporação. Depois de 15 anos como segundo comandante e desde Novembro como comandante interino, agora que assumiu oficialmente o cargo afirma que vai trabalhar para que o seu legado seja marcante e adiantou que vai apostar em dois pilares fundamentais: a formação e a sustentabilidade. “Um é a formação, para manter o socorro no patamar a que estamos habituados, um patamar de excelência. Outro é a sustentabilidade, estou a contar com órgãos locais, distritais e até nacionais para que nos possam auxiliar neste que é um período bastante difícil, monetariamente, porque o preço dos combustíveis está a aumentar, o salário mínimo aumentou, o voluntário está em decréscimo, em três anos conseguimos promover quatro bombeiros, o que é muito pouco. O aumento dos custos vai afectar a situação financeira das associações, na vertente do transporte de doentes, no entanto, estamos preparados para aguentar bastante tempo, mas se isto continuar assim vai haver dificuldades”, sublinhou.
Perante a possibilidade de os bombeiros precisarem de mais apoios, o presidente da câmara de Bragança, Hernâni Dias, deixou a garantia de que o município vai ter a preocupação “de fazer o que tem de ser feito”, mas apesar de criticar o governo acredita que o socorro no concelho não estará comprometido. “Fico muito confortável com o nível e a prontidão de socorro no nosso concelho, garantido seja por esta corporação seja pelos Bombeiros Voluntários de Izeda. Acho que a cobertura é boa, faremos aquilo que nos compete fazer, mas não deixaremos de reivindicar, junto das entidades competentes aquilo a que cada um tem direito, que são os meios que lhes permitem desenvolver a sua actividade, com o mais elevado profissionalismo”, afirmou o autarca.
Os bombeiros Voluntário de Bragança receberam ainda uma ambulância de socorro totalmente equipada, oferecida por um habitante da cidade que quis ficar no anonimato. Já a associação humanitária, investiu cerca de 17 mil euros em 16 equipamentos de protecção para os bombeiros. Escrito por Brigantia.